E MAIS UMA VEZ por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

E mais uma vez….

Era uma vez um menino que foi abandonado na estrada ao pé de uma mata, floresta, pelos pais, como forma de castigo. O menino tinha atirado pedras aos carros que passavam..

Abandonar uma criança numa estrada, como castigo não é educativo e só poderá trazer, mais tarde, problemas psicológicos graves: o sentimento de rejeição, o medo de ser abandonado, perder o espírito crítico, viver com base no respeito unilateral, repetir a mesma sanção quando considerar que já tem algum poder sobre outro. Este tipo de sanção, isolar a criança que se portou mal é já considerado mau trato à Criança e, por isso, é a expressão do não cumprimento dos Direitos da Criança.

O pai pediu desculpa, mas o medo passou? Mas a confiança no pai voltou? Os Direitos da Criança não se cumprem com pedidos de desculpa, mas com respeito mútuo.

Os pais foram compreendidos pelas autoridades, gente adulta, e não vão apresentar queixa deste hediondo mau trato.

Se fosse em Portugal estes pais seriam encaminhados para a Segurança Social ou CPCJ. e certamente iriam responder no Tribunal.

A cada cultura os seus castigos e entendimento de mau trato. Será que pode ser? Esta é também uma das questões nas sociedades multiculturais de difícil consenso.

A função de um castigo nunca poderá ser a de magoar ou humilhar, isso é maldade, é o exercício do poder do mais forte contra o mais fraco, o que é próprio de sociedades repressivas.

As sociedades multiculturais têm que ter a maturidade suficiente para fazer passar a mensagem e agir de acordo com ela de que a sociedade é para proteger os mais fracos e não para os punir

Este tipo de castigo pode ter como consequência o afastamento do filho ou a repetição deste castigo, a exclusão, com alguém mais fraco, quem sabe uma criança diferente, com dificuldades motoras, de aprendizagem, de se vestir, alguém que é diferente?

O Japão está ainda muito distante do cumprimento dos Direitos da Criança, para além do Dia da Criança, comemorado no dia 5 de Maio, em que é oferecido aos Meninos   presentes que tenham a ver com a força e com a saúde. O Japão festeja, também, o dia das Meninas, a 3 de Março, este é o dia das bonecas…ora que bom! as meninas, as mulheres, são para tratar da família.  .

A sociedade que leva os pais, já velhinhos para o cimo de um monte, para esperarem pela morte é a mesma que abandona os filhos na estrada como forma de castigo, é a mesma que incentiva a diferença de género no Dia da Criança.

O Japão tem um sistema de Educação discriminatório relativamente às crianças que precisam de apoio no seu processo de ensino/aprendizagem. Quem decide quem precisa de apoio e de que apoio são os relatórios médicos.  A opinião dos pais e dos professores, assim como, a das crianças, o que quer dizer que as potencialidades positivas das Crianças não são levadas em consideração. Muitas Crianças são mandadas para escolas longe da família, contrariando a Declaração de Salamanca _ Educação Inclusiva.

Aos 14 anos uma criança japonesa  tem responsabilidade penal para jovens,  aos 21 anos é já responsável penalmente como os adultos.

A História da Criança no Japão é feita  de bomba atómica, de harakiri, de montes para velhos, de florestas para crianças e de alta tecnologia.

Entre o quadro de lousa e giz, entre a floresta e a casa, entre o monte e o meu cantinho, prefiro a lousa, a casa, o meu cantinho e a luta pela igualdade de género, da não discriminação.

Leave a Reply