Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Sobre as mentiras emitidas pelas Instituições Internacionais, assumidas como verdades pelos governos nacionais e difundidas pelos seus media – uma pequena série de artigos
DedicatóriaDedico esta peça a um amigo e antigo aluno meu que desempregado passou por uma situação típica de um mercado completamente desregulado como quer a Troika e que abaixo descrevemos. A sensação que se tem ao ler esta síntese do que se passou sente-se uma raiva profunda por aquilo que lhe aconteceu e que acontece a tantos dos nossos jovens à procura de emprego. Respeitemo-los, ajudemo-los a obter emprego e, sobretudo, defendamo-los nos seus direitos de trabalhadores. A inspecção de Trabalho fez-se para isso e creio que cada vez mais será necessário um levantamento à escala nacional do que se passa nos locais de trabalho. A Inspecção do Trabalho não pode, não deve ser meramente passiva à espera que as queixas lhe cheguem aos gabinetes dos seus inspectores. O medo é aterrador, é gerador de um profundo silêncio que bloqueia todos ou quase todos aqueles que precisam de gritar bem alto a sua indignação e disso têm medo. Sejamos pois nós retransmissores dessa mesma indignação. No fundo, é a lei que liberta é a liberdade que oprime, e por liberdade entendemos aqui a liberdade absoluta dos mercados, que é de resto, um dos temas do presente texto mas, sendo assim, onde é que está lei? Sinceramente, parafraseando Michel Husson, tudo isto é em si mesmo criminoso, porque é todo um povo que se imola no altar da desregulação e da desregulamentação dos mercados.Para alguém como eu, que trabalhei desde os 11 anos e com essa idade me encontrava sozinho na Grande Lisboa, que também andei de emprego em emprego, que comi o pão que o diabo amassou, que sofri as passas do Algarve, desse tempo uma coisa posso dizer: nunca ninguém me humilhou. Os vários casos que vou conhecendo, de agora e de gente de trabalho precário e indiferenciado dizem-me que estamos a muita distância e para pior do que nos tempos do fascismo. Mas isto significa o quê?Júlio Marques Mota Resumo de uma entrevista de emprego, com propostas niveladas por um ombro de uma anemia social.Oferta de emprego: Economista para o Departamento de Economia FinanceiraSite da empresa: http://www.lusovini.com/home/index.phpEntidade: LusoviniLocal de entrevista: Avenida da Liberdade nº 15, Areal 3520-061 Nelas, PortugalPropostas presenciais (no local de entrevista):Disponibilidade laboral das 8h -20h e vários sábados;Possíveis deslocações ao estrangeiro (Angola, Moçambique, Brasil, EUA);Proposta pós-entrevista, cerca de 20 minutos depois, (já eu ia em viagem): disponibilidade para trabalhar um mês sem remuneração.Dadas as circunstância em que me encontro, demonstrei disponibilidade para todas as propostas.Após 2/3 dias telefonam-me, numa quarta-feira à tarde, a comunicar que fui o selecionado para a vaga. Ficou acordado entre as partes que eu daria uma resposta até sexta-feira seguinte.Na quinta-feira de manhã entro em contacto com a Lusovini para dar uma resposta à proposta antes oferecida mas já não disponível, pois já a vaga estava ocupada. |
Introdução
Estamos a acabar uma série sobre as mentiras com que nos vão bombardeando, com que nos vão mentido. Mas uma mentira tantas vezes repetida é depois no imaginário de muita gente uma verdade garantida. É contra estas verdades “garantidas” pelas Instituições que elaborámos esta série. Hoje, concluímos pois esta série com um texto sobre o FMI, sobre as suas verdades, sobre os seus enganos, sobre as suas manipulações, sobre a sua má-fé.
Já escrevemos muito sobre esta Instituição pelo que vamos sobretudo analisá-la no contexto da crise europeia uma vez que o FMI é um dos elementos da Troika. Iremos pois escrever muito pouco. Sublinharemos apenas alguns marcos das posições do FMI no contexto da crise. Relembrando pois um passado recente, confrontá-las-emos com outras posições emitidas por altas personalidades europeias, analisaremos algumas das contradições que neste contexto se levantam e depois publicaremos dois artigos, um do FMI, a introdução à sua análise da sustentabilidade da dívida na Grécia emitida agora em Maio e depois um outro artigo de um nosso conhecido, André Watt, que faz uma análise critica global sobre a ambiguidade desta Instituição faça às duras políticas que tem imposto na Grécia e de que agora com uma operação de branqueamento que vem desde 2015 pretende aparecer como a Instituição inocente deste processo. Os culpados são os outros, a Comissão, o BCE e sobretudo, sobretudo os gregos, porque não conseguiram o apoio da população para se tornarem mais pobres! Diremos que a análise feita pelo FMI em Maio de 2015 e agora em Maio de 2016 são ou pretendem ser verdadeiras máquinas de branqueamento dos comportamentos do FMI e das suas gentes bem pagas para constantemente se poderem enganar. É contra essa operação de limpeza e de desresponsabilização que nos opomos.
Na lógica desse branqueamento, se há erros não são do FMI, o FMI o que fez, aquilo em que participou, fê-lo de contra vontade! Desta forma se branqueiam 5 anos de destruição sistemática da Europa. O erro de tudo o que se tem estado a passar é apenas do BCE e da União Europeia e, sobretudo, do governo grego. É isto que pretendemos demonstrar, a mentira sistemática destes altos quadros, por maldade ou por ganância na defesa das altas remunerações que recebiam1. E impossível outra leitura, porque ignorantes é que coisa que não os podemos considerar, mesmo que os erros sejam de palmatória. De eros falaremos depois.
Acabamos esta pequena série de artigos hoje. Uma pequena série sobre as mentiras com que nos vão massacrando os ouvidos. E uma mentira tantas vezes repetida acaba por se transformar em verdade no imaginário de muita gente. É isto que as Instituições esperam dos media: que transformem as suas mentiras em verdades no imaginário dos cidadãos europeus.
1 Um exemplo : o salário, não, a remuneração anual de Christine Lagarde em 2012 foi de 381 000 € livres de impostos!).

