Dizíamos aqui há dias que, numa acepção cultural, os europeus têm motivos para ter orgulho na cultura europeia, na ciência, nas artes, na literatura que cérebros europeus produziram e que, nesse campo, faz sentido ser europeísta; a União Europeia é a negação desse esplendor que assenta na diversidade de culturas, de hábitos e de tradições. A União Europeia amalgama a riqueza que reside na diversidade numa sopa de vulgaridade, redutora e subsidiária da experiência americana que se revelou falhada -até a bandeira é uma réplica da que, vencido o Sul, os Estados Unidos adoptaram uma estrela por cada estado.
Temos motivos para nos orgulhar de Homero, Virgílio, Petrarca, Dante, Cervantes, Camões, Shakespeare… E ser solidários na vergonha pelas Cruzadas, pelo Santo Ofcio, por Adolf Hitler, por Benito Mussolini, por Salazar e pelo abominável Franco … Uma «união» que defendesse os valores do pensamento, das artes e da ciência do nosso pequeno continente, faria todo o sentido, pois seria como que um muro protegendo-nos da vulgaridade norte-americana – Korn Flakes ao pequeno almoço e talk-shows ao serão.
Mas as coisas são como são – o Reino Unido da Grã-Bretanha vai abandonar a UE e como os ingleses se sentem embaixadores de Deus (são os mordomos dos ianques) e há quem acredite que fazem muita falta. O eixo Paris/Berlim vai pegar nas rédeas desta carroça que não vai a lado nenhum e com a qual os historiadores do futuro não vão perder muito tempo – Fernand Braudel ensina-nos a diferença entre tempo real e tempo histórico. Uma década pode caber numa linha e um episódio gastar centenas de páginas.
Uma observação – deixa de fazer sentido que a língua preferencial de trabalho continue a ser o inglês – desde que não o substituam pelo alemão…
Não acreditamos que esta atitude inglesa produza grandes alterações no nosso dia-a-dia. Mas nunca se sabe – pode ser que a Escócia, Irlanda do Norte e o País de Gales queiram ficar, pode ser que haja referendos noutros países… Pode ser que o negócio anime.

Tem de animar. A História não vai parar para obedecer aos idealismos em curso. Não será o IVº Reich/UE quem vai ter mais força que o IIIº e os eternos colaboracionistas, mais dia, menos dia terão de sofrer o seu destino.
Já basta de tantas Nacionalidades europeias terem de continuar oprimidas pelos expansionismos imperialistas. Todos sabem que a origem da quase totalidade dos actuais Estados europeus foi conseguida pela força das armas e estes, por seu turno, desde que constituídos, em guerras sucessivas, só têm sabido viver na disputa da sua hegemonia. Não será pelo poder financeiro estar a substituir aquele das armas que o Reich actual é melhor que os anteriores.
Se Portugal – e muitíssimo bem – teve de deixar de ter colónias que razão haverá para que os demais não tenham de seguir-lhe as pisadas. Será necessário que os Oprimidos tenham de ser de cor preta para serem considerados colonizados? Viva a Europa das CEM Bandeiras! CLV