NA FLIP 2016, EM PARATY, HOMENAGEA-SE A POETA ANA CRISTINA CÉSAR

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Começou ontem e irá até dia 3 de Julho, a 14ª Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil.

Desde 2003, a Flip oferece todos os anos em Paraty uma experiência única, permeada pela literatura. Sempre em conexão com a cidade que a recebe, a festa é mais do que um evento, é uma manifestação cultural. Numa interlocução permanente entre as artes, propaga vivências focadas sobretudo na diversidade.

Às margens do rio Perequê-Açu, numa tenda especialmente montada para a festa, autores se reúnem em conversas que transitam por múltiplos temas, como teatro, cinema e ciência. Além disso, a Flip oferece uma programação que mantém seus princípios fundadores: originalidade, intimismo, informalidade, o encontro singular entre escritores e público e, acima de tudo, ações de permanência. Flipinha, FlipZona e FlipMais compõem o programa da festa, com atividades que combinam literatura infantojuvenil, performance, debates, artes cênicas e visuais.

Cada edição presta homenagem a um autor brasileiro – uma maneira de preservar, perpetuar, difundir e valorizar a língua portuguesa e a literatura do Brasil. Pensados pelo curador da festa, os eixos temáticos são apresentados a partir de um vigoroso time de escritores e escritoras. Salman Rushdie, Don DeLillo, Ariano Suassuna, Isabel Allende, Neil Gailman, Angélica Freitas, Toni Morrison e Chico Buarque são alguns dos nomes que já circularam por Paraty. Como de costume, trazer à tona autores da nova geração também é parte fundamental da programação da Flip.

Este ano, de Portugal foi convidado Ricardo Araújo Pereira. Ana Cristina Cesar é a autora homenageada.

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A poeta Ana Cristina Cesar (1952-83) é a autora homenageada da Flip 2016, que vai acontecer entre 29 de junho e 3 de julho em Paraty (RJ). Expoente da geração da Poesia Marginal, Ana C. criou uma escrita atravessada por elementos do cotidiano e aspectos de sua intimidade.
Além da poesia, dedicou-se à crítica e à tradução literária, tendo traduzido Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield. Revelou seu estilo informal em diários, poemas, cartas e inclusive desenhos. Ao homenageá-la, a Flip traça uma linha de continuidade com a programação do festival, que vem ajudando a revelar ao grande público múltiplas vozes da poesia brasileira.

Para saber mais sobre a escritora ver:

http://oglobo.globo.com/cultura/livros/ana-cristina-cesar-ganha-fotobiografia-e-book-com-cartas-na-flip-19148968

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/05/06/A-Flip-nunca-teve-tantas-mulheres-no-palco.-Como-chegamos-aqui

 

 O nome do gato assegura minha vigília

e morde meu pulso distraído

finjo escrever gato, digo: pupilas, focinhos

e patas emergentes. Mas onde repousa

o nome, ataque e fingimento,

estou ameaçada e repetida

e antecipada pela espreita meio adormecida

do gato que riscaste por te preceder e

perder em traços a visão contígua

de coisa que surge aos saltos

no tempo, ameaçando de morte

a própria forma ameaçada do desenho

e o gato transcrito que antes era

marca do meu rosto,  garra no meu seio.

 

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