EDITORIAL: AINDA O LIVRO (Conclusão)

logo editorialComo dissemos no editorial de ontem, na passada semana, durante a primeira sessão do fórum Edita Bacelona organizado pelo Grémio de Editores da Catalunha e pela Universidade Pompeu Fabra, o editor inglês Richard Charkin, director da Bloomsbury (chancela da série de Harry Potter) e presidente da IPA (Associação Internacional de Editores (IPA) de em entrevista ao El País, comparou o actual panorama da edição ao do futebol inglês – os jogos, os jogadores, deixaram de estar no centro das atenções – o protagonismo pertence agora aos treinadores (alfinetada em Mourinho?). “Nós, os editores, estamos tão obcecados com as vendas que esquecemos que a trave mestra do ofício, era a cumplicidade que tínhamos com o autor» e conclui. «o ego do editor cresceu tanto que nos julgamos mais importantes do que o autor».

O erro em que os editores mais frequentemente caem é no da tentação generalista. Um pequeno editor, que entra num mundo dominado por gigantes, a sua pequena janela de oportunidade se abre sobre dois cenários – ou escolher um nicho de mercado (Direito, Medicina, Culinária…) ou cinge-se à edição pré-comprada, à venda institucional.

Porque até os gigantes estão a ser absorvidos por super-monstros – a fusão de grandes multinacionais, dando lugar a poderosas organizações que incluem meios de comunicação, transformou um negócio que sempre esteve em crise, mas que ia sobrevivendo, num forno holocáustico onde quem entra deve deixar toda a esperança à porta. Os best-sellers não acontecem – fabricam-se. Toda a máquina está oleada e, não podendo evitar que as pessoas acreditem no Pai Natal, muito menos podemos pôr em causa o sistema: um deserto onde dois ou três gigantes vão devorando desde formigas a rinocerontes.

O copyright, em nome da Democracia está a ser destruído. Um pão compra-se, um poema rouba-se. Ora o poeta tem tento direito a alimentar-se como o padeiro.

È essa a luta que travamos – não deixar que os gigantes, fomentando a barafunda bloguística, façam prevalecer o princípio de que a criação artística não é uma mercadoria – todos devem ter acesso à leitura do poema ou do romance. É uma luta contra moinhos de vento, pois pessoas que são contra o sistema capitalista, abrem uma excepção para a criação artística. Pedir dinheiro por um artigo ou, no mínimo, autorização para o publicar, é um acto reprovável. Afinal até estamos a divulgar a sua obra, a fazer um favor ao artista,,, A Google, a Apple, a Amazon, a Vodafone, agradecem e continuam a engolir anões e a fazer passar por bom, por crocante ou regulador do trânsito intestinal o que lhes interessar.

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