Em 16 de Julho de 1934, faz hoje 82 anos, a Assembleia Constituinte empossava Getúlio Vargas (1883-1954) no cargo de Presidente da República do Brasil. A acção depuradora do tempo transfigura a verdade histórica. As figuras mais odiadas no seu tempo, depois de cobertas pela patine do tempo, acumuladas camadas sedimentares de acontecimentos, são por vezes reabilitadas pela História. Em contrapartida, figuras positivas são pura e simplesmente esquecidas, ignoradas.
Sabe-se que o Marquês de Pombal foi um déspota, odiado por muitos no seu tempo. Hoje não há quem não reconheça a sua estatura de grande estadista. Salazar não terá argumentos para atingir o mesmo grau de admiração, mas, pelo menos deixará de ser lembrado com o mesmo ódio com que hoje, vivas que são muitas das suas vítimas. Não passará de uma figura apagada e que manteve o País o mais que pôde parado no tempo.
Getúlio Vargas tentou a carreira militar que abominou, formando-se em Direito e iniciando uma carreira política que, após alguns desaires, foi coroada de êxito, ao ser empossado faz hoje 82 anos como Presidente. Porém a Constituição era um empecilho e em 1937, mais precisamente, em 10 de Setembro encabeçou um golpe de Estado que lhe consentiu reunir nas mãos os poderes legislativo e executivo e abolindo os partidos, criando a censura e a policia política. Foi o chamado «Estado Novo» (inspirado pela experiência salazarista?) que se seguiu onda nazi-fascista que esteve na origem da Guerra Civil de Espanha (1936.39) e pela II Guerra Mundial (1939.45).
Em 1945, um golpe militar, liderado por gente de extremíssima direita, depôs Getúlio em 29 de Outubro. Voltou ao poder em 1950, ao vencer as eleições para a Presidência da República. Um clima tumultuoso que o país viveu nos anos seguintes, conduziu o Congresso à demissão de Getúlio que optou por se suicidar com um tiro no coração.
