EDITORIAL – MAIS UMA TRAGÉDIA NO HAITI, TRAZIDA PELA ONU.

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O Haiti é um dos países mais pobres do mundo. Ocupa cerca de um terço da ilha Hispaniola, ou de São Domingos, a maior ilha das Antilhas  a seguir  a Cuba. Fica no lado ocidental  da ilha, com cerca de 27750 quilómetros quadrados. Estima-se a sua população em cerca de 10 milhões de habitantes. Tornou-se uma república independente em 1804, na sequência das revoltas de escravos africanos e seus descendentes, infligindo a Napoleão I a sua primeira derrota, que, sendo assim, não foi nem em Portugal, nem na Rússia. Mas a vida do primeiro país a tornar-se independente na América Latina e Caraíbas, decorreu sob enormes dificuldades. Tendo abolido a escravatura, sendo governado por antigos escravos, granjeou a hostilidade dos estados traficantes de escravos, americanos e europeus, que mantiveram o novo país sob bloqueio comercial por cerca de 60 anos, e impediram que o novo estado ocupasse toda a ilha, tendo a República Dominicana declarado a sua independência em 1844.

A vida do Haiti tem sido sujeita a numerosas convulsões, incluindo catástrofes naturais, intervenções (ataques) estrangeira(o)s e ditaduras desumanas. Entre estas últimas avulta a de François Duvalier, também conhecido por Papa Doc, eleito em 1957, que, apoiado pelos Estados Unidos, se tornou presidente vitalício, e instaurou um regime apoiado no terror. À sua morte, em 1971, sucedeu-lhe o filho Jean-Claude (Baby Doc), que foi derrubado em 1984. Sucedeu-se um período de grandes instabilidade, causada em grande parte pelos tontons macoute, antigos membros da polícia secreta dos Duvalier, agravando-se as dificuldades económicas do país. Em 1990 foi eleito presidente o padre Jean-Baptiste Aristide, mas não estabilizar-se. Após várias intervenções norte-americanas, mais ou menos respaldadas pela ONU, esta decidiu enviar para o país uma força multinacional em 2004, que ainda hoje ali se mantém. Entretanto, em 2010 um terremoto de grau acima do grau 7 de Richter assolou um país já então muito pobre e desorganizado, e extremamente vulnerável. Calcula-se que tenham havido mais de duzentos mil mortos, sendo superior a três milhões o número de desalojados. Entretanto, desencadeou-se uma epidemia de cólera, cuja bactéria terá sido veiculada por soldados da força de intervenção da ONU, e que já causou mais de 10 000 mortos, havendo pelo menos 800 000 pessoas afectadas (parece que mais do que na África inteira, no mesmo período). A ONU já reconheceu a sua responsabilidade, mas obviamente que não chega. É preciso fazer muito mais por este país, nascido da vontade de escravos de serem livres, no tempo da Revolução Francesa e que, talvez também por isso, tem sofrido tanto.

Propomos que cliquem no link abaixo:

http://www.lemonde.fr/planete/article/2016/08/19/l-onu-admet-sa-responsabilite-dans-l-epidemie-de-cholera-en-haiti_4985249_3244.html

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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