CARTA DE VENEZA – EM BREVE, O 73.º FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE CINEMATOGRÁFICA – por Vanessa CASTAGNA

carta de veneza

Abre já para a semana mais uma edição do conhecido Festival Internacional de Arte Cinematográfica, um bom momento para encher de glamour a ilha do Lido e a cidade em geral e tentar esquecer os inúmeros episódios de vulgar falta de educação por parte de improváveis turistas, que têm preenchido as páginas de crónica local nas últimas semanas. É a altura do ano em que se pode relembrar um passado em que Veneza ainda não era um destino turístico de massas e conservava uma nobre dignidade ao longo do ano inteiro.

O programa do Festival, a realizar-se entre 31 de agosto e 10 de setembro, conta este ano com 55 longas-metragens inéditas na Seleção Oficial, entrando 20 das mesmas no concurso Venezia 73, 18  na secção Fuori Concorso e 19 na secção paralela Orizzonti, que acolhe as novas correntes do cinema internacional. Nesta última secção também participam 16Mostra Internazionale de Arte Cinematigrafica curtas-metragens. Regista-se ainda a secção Venezia Classici, que vai apresentar 20 longas e uma curta-metragem restauradas, para além de 10 documentários sobre o cinema. Dos realizadores mais esperados, por enquanto podem-se mencionar Emir Kusturica (On the Milky Road) e Wim Wenders (Les beaux jours d’Aranjuez).

São muitos os países representados na Seleção Oficial, nomeadamente: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Croácia, Cuba, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos, Estónia, Filipinas, França, Grã-Bretanha, Japão, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irão, Israel, Itália, México, Nepal, Nova Zelândia, Países Baixos, Paraguai, Portugal, Qatar, Roménia, Rússia, Senegal, Sérvia, Suécia, Suíça, Tailândia, Tunísia, Turquia, Venezuela.

O filme São Jorge do português Marco Martins, que combina o género ficcional e o documentário, vai competir na secção Orizzonti, apresentando a história de um pugilista desempregado e endividado que acaba por aceitar um emprego numa empresa de cobranças difíceis, em tempos de troika e crise financeira.

À margem das secções principais do Festival há várias iniciativas interessantes, sendo de destacar o workshop Final Cut in Venice, que apoia a pós-produção de filmes africanos e do Médio Oriente, e o Biennale College, um seminário de alta formação destinado a jovens realizadores para a produção de filmes a baixo custo. Porque não basta celebrar o passado e valorizar o presente, também é preciso preparar o futuro.

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