GUIA PRÁTICO DE ESCRITA DE FICCÃO? MÁRIO DE CARVALHO COM “QUEM DISSER O CONTRÁRIO É PORQUE TEM RAZÃO”

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Diz-nos a Porto Editora:

Pela primeira vez, um dos mais importantes ficcionistas portugueses, Mário de Carvalho, aventura-se num guia prático de escrita de ficção. Quem disser o contrário é porque tem razão é um livro que procura aconselhar e desbravar caminhos para a escrita, mas também promover a discussão sobre este tema. Mário de Carvalho dá-nos ainda conta da sua experiência enquanto leitor e escritor, sempre no tom bem-humorado a que já nos acostumou. Com a chancela da Porto Editora, esta novidade para leitores, curiosos e (futuros ou atuais) escritores chega às livrarias no dia 24 de outubro.

De acordo com o que diz na sua «Nota Prévia», «O autor não tenciona, nem de longe, nem de perto, atrever-se ao terreno da teorização narratológica e visa muito aquém dos estudos literários. Pretende tão-só, num itinerário vagamundo, desvendar uns poucos caminhos, anotar-lhes as curvas e contracurvas, prevenir dos salteadores e trapaceiros, e indicar algumas razoáveis estalagens».

SINOPSE 
Ser escritor. O texto ficcional. Dilemas, enigmas e perplexidades do ofício. No vale das contrariedades. Nada do que parece é. O «assertivismo» é um charlatanismo. A valsa dança-se aos pares: escrita e leitura, autor e leitor, personagem e ação, causalidade e verosimilhança, contar e mostrar, o dentro e o fora, a superfície e o fundo. O bico-de-obra do primeiro livro. Por onde começar? Com que começar? Com quem começar? A manutenção do interesse. Não há regra sem senão; não há bela sem razão. Ou o oposto. Riscos, cautelas e relutâncias.

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Como é que alguém decide ser “escritor”? Irá um livro como este ajudar? Diz o autor:

“Quando falo em «escritor», refiro-me aos ficcionistas, com vénia aos dramaturgos e aos poetas. Ponto. A razão da advertência é que, no mundo de língua inglesa, writer designa quem quer que tenha como ocupação o escrever (não digo «a escrita» para não misturar no caso os contabilistas). Vale para a publicidade, guionismos vários, didascálias de banda desenhada, receitas de cozinha, bricolage, legendas de fotografias, ou aconselhamento psicológico”.

Para ele “dificilmente haverá um bom escritor onde não houver um bom leitor”. “Leia, observe, anote, pense no que quer fazer — e trabalhe muito.”

Acho que se dissermos que é uma divagação encontramos mais ou menos a forma deste livro”, esclarece o autor que reuniu em cerca de 300 páginas anos de reflexões sobre o acto de escrever.

Em entrevista a Isabel Lucas ( jornal Publico 21.11.14) o autor conta que o título  “Foi uma reminiscência de uma velha questão, já não me recordo se dos dadaístas se dos surrealistas, dessa gente que abanou o mundo literário do século XX pronunciando-se contra a literatura e a tradição literária e querendo instaurar qualquer coisa de novo, introduzindo até factores de irracionalidade e de absurdo. Foi à volta destas discussões sobre o absurdo e sobre quem tem razão e quem não tem que essa frase me surgiu”.

“A arte não transmite conhecimento. Faz nascer um conhecimento. A literatura não nos comunica os sítios. Fá-los recriar no espírito do leitor. Quando descemos descuidadamente aa Rua Garrett ou seguimos num mapa de Lisboa o percurso de Ricardo Reis ou deambulamos na Avenida de Roma dum escritor contemporâneo, não nos encontramos verdadeiramente no mesmo sítio que o autor concebeu e verteu em palavras. Os lugares dos livros constam de um universo construído na confluência de duas imaginações e vivências, de duas subjetividades: a nossa e a do autor” (pag. 207).

O AUTOR
Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico. Desde então, tem praticado diversos géneros literários, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Nas diversas modalidades de Romance, Conto e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários portugueses mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance, Conto e Teatro da APE, o prémio do Pen Clube e o prémio internacional Pégaso). Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas. Recentemente, foi agraciado com o Grande Prémio de Conto “Camilo Castelo Branco” CM Vila Nova de Famalicão/APE pelo livro A Liberdade de Pátio (Porto Editora, 2014).

 

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