
De uma horrorosa catástrofe como o terramoto em Itália, que deixa tantas vítimas, tanto sofrimento e destruição, pode-se ao menos tirar lições, que levem a tomar medidas que limitem os danos. Lemos no Público de hoje, num interessante artigo de Clara Barata (página 2) que em Núrsia, uma cidade situada perto de Amatrice e Accumoli, estas duas fortemente atingidas pelo tremor de terra, os danos foram praticamente irrelevantes, o que se deverá a que ali, após um terramoto ocorrido em 1979, foi levada a cabo uma reconstrução segundo as normas anti-sísmicas. No terramoto ocorrido há dias, a maioria das vítimas terá sido causada pelo desabamento de casas, e não pelo sismo directamente. Entretanto o artigo do Público acima referido cita o Repubblica, em que foi referido que segundo a Associação Nacional dos Construtores Civis (de Itália), 60 % dos edifícios de habitação foram construídos antes de 1971 e nunca tiveram obras de reforço anti-sísmico.
Temos acima definido o problema em Itália. E é legítimo que se pergunte: como estamos em Portugal a este respeito? Boa parte do nosso país também pode ser considerada como de risco sísmico, como é do conhecimento geral. É da maior urgência verificar se as normas existentes são suficientes e se estão a ser aplicadas. De particular importância é verificar o número de casas que não está em condições de resistir a um sismo mais forte, e preparar as câmaras municipais para actuar junto dessas casas e da população em geral, nas grandes cidades e não só. Muito importante é também perceber se as regras do urbanismo (estamos a admitir que tem havido regras) aplicadas até à data são adequadas à prevenção de sismos, além das regras sobre a segurança dos edifícios.
Os fogos florestais têm mostrado o grau de impreparação do país em relação a catástrofes maiores. É de temer que em relação a sismos a situação seja ainda pior. Este é um assunto prioritário que não permite as delongas tradicionais na governação do país.
