EDITORIAL – A EUROPA RADICALIZA-SE À DIREITA

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Hoje mesmo, domingo, 4 de Setembro, houve uma eleição regional na Alemanha, no estado de Mecklenburg-Vorpommern, situado no nordeste do país, numa zona que pertenceu à antiga República Democrática Alemã. Venceu o SPD, partido social-democrata, o que não terá sido grande surpresa, na medida em que já tinham vencido as eleições anteriores, em 2011. A novidade terá sido a CDU de Angela Merkel ter ficado em terceiro lugar, atrás  do AfD (Alternative für Deutschland), um partido classificado como de extrema-direita pelas suas posições xenófobas. Também será de notar que Angela Merkel foi eleita para o Bundestag por este estado, em 1990. O AfD distingue-se pelas suas posições contra o euro e os imigrantes/refugiados. Também será de salientar que os partidos à esquerda do SPD também estão em quebra no estado.

Não é difícil perceber que na Alemanha se está a assistir a uma radicalização de posições. O sentimento de que a posição dominante na UE, que tanto tem beneficiado o país, poderá não durar indefinidamente, e de que a presença de um grande número de imigrantes poderá acarretar um acréscimo nos números do desemprego, terá sido decisivo. Independentemente de esse sentimento ser fundamentado ou não o mesmo se passa noutros países. A subida da Frente Nacional em França parte da mesma base.  A identificação nestes países da esquerda com a adesão à UE e com a abertura a receber os imigrantes/refugiados estará a ter muita influência nestas posições.

É lamentável ter de se reconhecer que a xenofobia está a crescer na Europa, e que vai ter grande influência nas escolhas políticas futuras. O fracasso da UE terá contribuído sem dúvida para isso. A opção pelas políticas de austeridade, curiosamente defendida por muitos que apoiam a globalização, terá sido decisiva para esta deriva ética e política.

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