O poeta-professor Joaquim Branco lança sua nova obra “Entrelinhas” em Cataguases, dia 6 de setembro.
É no branco das entrelinhas, em suas pequenas pausas, que o texto literário sugere imagens, significados que se incorporam ao pensamento do leitor.
No branco que “fala”, na força desse branco muito bem sacado no livro de Joaquim.
Vejam no anexo crônica sobre “Entrelinhas”.
E também em meu blog, no link a seguir:
http://ronaldowerneck.blogspot.com.br/2016/09/branco-nas-entrelinhas.html



Todo texto literário se aninha nas entrelinhas. É ali que ele “fala” com o leitor, polissemicamente. Então, é um achado o título deste livro, que diz desde a capa ao que vem. Diz, numa só palavra, tudo que o leitor nele irá encontrar. Pois é nas entrelinhas, no “parar para pensar”, que o leitor se vê frente à frente com as pensatas do autor – é dali que surgem à tona, que emergem os recônditos, as profundezas de cada texto. Erudito, intelectual de primeira ordem, Joaquim Branco desenha aqui um mapa, traça as veredas literárias de grandes autores, do Brasil e do estrangeiro. Veredas, palavra certa. Palavra-símbolo de Guimarães Rosa, umas das preferências literárias de Joaquim (ao lado de Jorge Luis Borges e Kafka), e que é abordado em quatro dos textos do livro.
Mas o texto literário só funciona em sua plenitude quando conta com o feedback do leitor. Leitor-autor “em processo”. E Joaquim aqui nos remete a Borges: “a parte que cabe ao leitor é tão importante quanto a do escritor, pois pertence a ele a fase de consumação (e do consumo) da obra de arte”. Que, por sua vez, nos leva a Hans Robert Jauss (1921-1997) e Wolfgang Iser (1926-2007), fundadores da Estética da Recepção, escola que desenvolveu no pós-guerra alemão uma noção dinâmica do leitor, ouvinte ou espectador como fator essencial à constituição da obra de arte. Dizia Jauss: “para que a literatura aconteça, o leitor é tão vital quanto o autor”.