EDITORIAL: El castellano es un arma cargada de pasado

 

logo editorialHoje, 12 de Outubro, celebra-se o «dia de la Hispanidad», tendo como patrono Cristóvão Colombo, nascido em Génova em 1451, morrendo em Valladolid em 1506, cuja armada, ao serviço dos «reis católicos» de Castela e Aragão, arribou ao continente americano em 12 de Outubro de 1492, embora o seu objectivo fosse o de atingir a Índia. Na realidade, chegou às Caraíbas pelo que, cientificamente a sua missão foi um fracasso. O caminho marítimo para a Índia foi descoberto por Vasco da Gama em 1498.

Constitui, portanto, um mistério o facto de a nacionalidade de Colombo ser disputada por castelhanos, galegos, catalães e portugueses. As fontes primárias comprovam que nasceu em Génova. Cristoforo Colombo é, pois o seu nome e não Cristóbal Colón, dando o antropónimo origem ao nome de um país americano – a Colômbia.

Surpreende que um navegador que morreu convencido de que chegara à Ásia, sem utilizar os conhecimentos científicos de que já se dispunha e que, portanto, sendo um almirante audaz, foi um piloto falhado, seja disputado por tantas nações – em Portugal, a historiografia mais credível sanciona a origem genovesa, ficando as fantasias sobre a sua naturalidade portuguesa ao dispor da literatura de má qualidade.

Mas, pior do que a glorificação de Colombo, é a pesporrência de um Estado que se recusa a enfrentar a realidade da fraude cometida por um casal que criou uma Espanha historicamente baseada em falsos pressupostos e que escolhe o dia 12 de Outubro para comemorar o Dia de Espanha – Dia de la hispanidad. Que escolham Colombo como patrono, é coisa que não nos diz respeito. Porém, o conceito de hispanidade inclui-nos, tal como a galegos, catalães, bascos- todos somos hispanos (não sendo espanhóis, designação com que os castelhanos querem hegemonizar um espaço geográfico que coabitam com outras nacionalidades). O correcto seria Dia de la castellanidad.

Sempre temos afirmado a nossa admiração e respeito pela cultura castelhana, sobretudo pela sua esplendorosa literatura que consideramos a mais brilhante do século XX. Alguns de nós, estudaram-na no plano académico e falamos e escrevemos em castelhano sempre que tal se justifica. Não aceitamos é que as demais línguas e literaturas hispânicas sejam subalternizadas, pois merecem tanto respeito como o idioma em que Cervantes escreveu.

Sugerimos um patrono mais aceitável – Fidel Castro.Fidel_Castro

Descendente de galegos, é um libertador da Índia que Colombo descobriu.

Segundo Gabriel Celaya, La poesia es un arma cargada de futuro.

Nas mãos de centralistas, de fascistas, de ignorantes de realidades culturais diferentes da sua, o castelhano é uma arma carregada de passado, empunhada pelos netos espirituais dos que querem destruir culturas, porque a estupidez e a arrogância são sempre prepotentes e intolerantes. Homenageamos os castellano-hablantes que sabem conviver com a enriquecedora diferença do mosaico cultural em que se inserem, dedicando-lhes poemas sobre um homem que usou a palavra em castelhano como arma carregada de futuro.

1 Comment

  1. Fosse como fosse, mas não foi, a verdade é que chamou Cuba à ilha mais grandiosa que encontrou. A quem pretendeu agradar???? CLV

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