CARTA DE VENEZA – “AQUA GRANDA”: MEMÓRIAS DE ALUVIÃO – por Vanessa Castagna

carta de veneza

Nesta época registam-se em Veneza inúmeros eventos em volta do quinquagésimo aniversário de um dos momentos mais terríveis da história da cidade, ou seja, a aluvião que no dia 4 de novembro de 1966 atingiu a laguna deixando marcas indeléveis. Nesse dia a maré subiu até 194 centímetros acima do nível do mar, com efeitos devastadores tanto nas ilhas como na terra firme.

Das várias mostras em curso, assinalam-se a da Biblioteca Nacional Marciana (28 de outubro – 27 de novembro), a da Fundação Bevilacqua La Masa (31 de outubro – 14 de novembro) e a do Museu Correr (3 de novembro – 31 de dezembro), enquanto o Teatro La Fenice vai inaugurar a estação lírica precisamente com a obra Aquagranda, sobre este tema. Na verdade, quase não há instituição local de renome que não tenha agendado alguma exposição, congresso ou atividade para assinalar este marcante aniversário.

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O calendário preenchido de eventos não pretende apenas celebrar uma memória coletiva, mas também alertar para as criticidades geomorfológicas da cidade e chamar a atenção dos responsáveis políticos nacionais para a fragilidade do ecossistema veneziano, com todos os cuidados que necessitaria. De resto, nestes dias a fragilidade geográfica e estrutural da maior parte da península italiana está à vista do mundo, devido aos sismos que têm abalado o território, chegando mesmo a sentir-se em Veneza.

As enchentes continuam a ser uma ameaça para a cidade e para as áreas continentais que a rodeiam, apesar de obras ambiciosas e polémicas como o chamado MOSE. Qualquer decisão política deveria sempre ter em conta essa ameaça e o conjunto de peculiaridades que tornam Veneza uma cidade tão preciosa e ao mesmo tempo tão precária.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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