A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
A I República foi antecedida de um magnicídio. O rei D. Carlos e o príncipe herdeiro foram vítimas de um atentado em 1 de Fevereiro de 1908. Em 14 de Dezembro de 1918, o Presidente Sidónio Pais era assassinado. Aliás, os atentados contra pessoas foram, a partir do fim do século XIX e primeiras décadas do século XX, a maneira mais usual de procurar solucionar problemas políticos. O atentado de Serajevo insere-se nessa lógica perversa que o nosso povo condensa no aforismo mata-se o bicho, acaba-se com a peçonha. A chamada «sabedoria popular» revela-se, neste caso, profundamente errada. As ideias não morrem com as pessoas. Nem foi a morte de D. Carlos que deu lugar à queda da monarquia, nem o atentado que vitimou Sidónio travou a marcha da política portuguesa para a implantação de um regime de direita, autoritário e afirmando-se intérprete do sentimento popular, não necessitando, portanto, de auscultar a vontade dos cidadãos.