FRATERNIZAR – À FALTA DO FILHO DE MARIA, RECORREM AO FILHO DE UMA VIRGEM! Resultado: Cada 25 Dezembro, saem dos armários variadíssimos meninos-jesus e outros bonecos! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

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Porque Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, só nasceu uma vez, precisamente, 5-6 anos antes do ano 1 desta nossa era comum, em Nazaré e não em Belém, como, desde há dois mil anos, nos têm andado a mentir; e porque as igrejas cristãs que o odeiam de morte, ao seu Projecto político alternativo de sociedade, ao seu Deus que nunca ninguém viu, tão pouco conseguem obrigá-lo a nascer e a morrer crucificado todos os anos e a subir aos céus, onde teria de ficar por uns meses lá sentado à direita de deus-pai todo-poderoso, de onde viria, depois, não se sabe quando, nuvens do céu abaixo, com múltiplas legiões de anjos armados, julgar os vivos e os mortos e condenar a maioria dos povos ao inferno e uns quantos eleitos ao céu, meteram-se todas a criar-anunciar-impor aos povos um mítico cristo, o delas, nascido de uma mítica virgem. E desde então, todos os anos, pelo natal do SOLstício de inverno, correm a tirar dos seus múltiplos armários milhares, milhões de meninos-jesus que põem à adoração dos seus fiéis, elas e eles, mais elas do que eles, em presépios cada vez mais refinados, a exemplo do que fez, pela vez primeira, de forma tosca, mas ao vivo, no século XIII, Francisco de Assis, depressa transformado por elas num mito e num ícone, pau para toda a colher, até para ajudar a acumular riqueza sobre riqueza nas ordens religiosas de frades e de freiras que se reclamam do seu mítico nome. Francamente, é a demência das demências. A mesma que, nestes dois mil anos de cristianismo, tem estado ao comando dos povos e do planeta e está a levar uns e outro para a implosão nuclear. Nomeadamente agora, com Trump, à frente do EUA, Putin, à frente da Rússia, Ergodan à frente da Turquia, Merckel à frente da Alemanha/UE e o papa Francisco à frente do Vaticano que é toda a terra onde haja a funcionar uma empresa-diocese com um bispo alter-ego dele e por ele nomeado.

Juntamente com esses milhares, milhões de meninos-jesus, as igrejas cristãs tiram também dos armários muitos outros bonecos – bois, vacas, pastores, anjos, carneiros, ovelhas – para todos os gostos, quase sempre, maus-gostos. E há sempre inúmeras quantidades de artistas e um sem-fim de artesãos de múltiplas culturas e tendências que, de bom grado, se prestam a este tipo de negócios natalícios. As populações, por sua vez, não se fazem rogadas e entram descontraidamente no jogo infantil que as infantiliza cada vez mais, sem as próprias darem por isso, e até desejam umas às outras festas felizes, feliz natal, ao mesmo tempo que dão prendas, qual delas a mais bizarra e a mais cara. Numa manifestação de aparente alegria, mas que não passa de colectiva demência, infantilismo, sadismo. De ano para ano, cada vez mais deprimente, infantil, sádico. Sem nunca se aperceberem que, com este seu comportamento, estão a engordar mais e mais o Mercado financeiro global e a dar cobertura às igrejas de mentira, empenhadas, com sumo zelo e ingénua dedicação por parte de alguns dos seus funcionários, em impedir que nós, os seres humanos e os povos, cresçamos em sabedoria e em graça, mais, muito mais do que em idade e em estatura. Como acontece com Jesus, o filho de Maria, o ser humano por antonomásia, em quem Deus que nunca ninguém viu, se nos dá definitivamente a conhecer.
É hoje mais do que sabido, graças à investigação histórica, que os 4 Evangelhos canónicos originais não se ocupam com as circunstâncias do nascimento de Jesus em Nazaré. Os 2 primeiros capítulos de Mateus e de Lucas são colocados lá posteriormente. O começo original de cada um é o que hoje aparece como capítulo 3. A verdade histórica é que a generalidade dos concidadãos de Jesus apenas sabe dele, quando, já adulto, decide deixar Nazaré e juntar-se ao movimento político encabeçado por João, o que baptizava (= Baptista) nas margens do Jordão. Jesus, porém, depressa se dá conta de que não é esse o seu caminho, não é essa a sua vocação, a sua missão. João não passa, afinal, de mais do mesmo. O seu radicalismo ideológico-político, embora perturbe bastante o rei Herodes, ao ponto de o mandar prender e decapitar na prisão, não põe em causa o judaísmo como sistema de poder, nem a sua ideologia-teologia de povo eleito, superior, por isso, a todos os demais povos da Terra. O mais que pretende é reformá-lo, para que se reforce ainda mais. E para esse peditório, Jesus não está disposto a dar. E não dá. Na sua consciência de camponês-artesão de Nazaré e na sua total fragilidade humana de filho de Maria, experimenta no seu mais íntimo que a História da Humanidade, dos povos, está já madura e preparada para começar a nascer de novo. Desde então, é chegado o tempo de os povos da Terra progressivamente renunciarem de vez aos intermediários religiosos, políticos, económico-financeiros que sempre os oprimem, roubam e matam e, consequentemente, passarem a dar corpo, nos seus próprios corpos religados uns aos outros, a uma nova Humanidade, com tudo de Nova Criação. Jesus, ele próprio, vê-se como o primeiro e o último, o alfa e o ómega, dessa Nova Criação, dessa Nova Humanidade. E aceita apresentar-se, assim, ao seu povo como o próprio Projecto político alternativo de Deus para a sociedade.

Depressa tem contra ele tudo o que é intermediário e agente de poder, portador de privilégios. E só mesmo o recurso à clandestinidade lhe dá algum tempo para poder anunciar-semear, ao modo do grão de mostrada, do grão de trigo e do fermento-na-massa, no coração-consciência da Humanidade a Boa Notícia de Deus que nunca ninguém viu, bem como o Projecto político que Ele tem para Humanidade, desde antes da criação do mundo. Faz-se rodear de alguns mais íntimos que teimosamente o seguem, mas acaba traído por eles. Vale-lhe, nessa hora – a sua hora! – a fidelidade de algumas mulheres, com destaque para Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena. E também de alguns homens, filhos de antigos imigrantes gregos já nascidos na Palestina, judeus de nascimento, não de sangue! São até estas mulheres que suportam, das suas bolsas, os custos da Missão. E mantêm-se-lhe fiéis para lá da sua morte crucificada, a que acaba inevitavelmente condenado em Abril do ano 30.

Depois de o terem politicamente traído e entregue aos sumos-sacerdotes do templo de Jerusalém, o grupo dos homens judeus apressa-se, após a sua morte na cruz como maldito segundo a Lei de Moisés, a fundar uma nova corrente política dentro do judaísmo, chamada judeo-cristianismo que, à letra, quer dizer, judaísmo-com-messias, mais tarde, cristianismo simplesmente. Mas é só no pequeno grupo das mulheres e alguns homens que se experimenta a mais bela e a mais escandalosa das notícias. Esta: Deus que nunca ninguém viu é com Jesus crucificado que está e com o Projecto político alternativo que ele próprio é, não com nenhum dos muitos poderosos intermediários, agentes do Poder, que sempre estão aí só para roubar, matar e destruir. E é esta bela e escandalosa notícia que, desde então, está aí, sem que saibamos como, a mudar o mundo de dentro para fora, de selvagem em humano e de humano em fraterno, com os povos progressivamente vasos-comunicantes-uns-com-os-outros-e-com-tudo à sua volta. Animados pela Ruah-Sopro de Jesus, o filho de Maria, que, por quantos se deixam conduzir por ela, crescem de dentro para fora, únicos e irrepetíveis, num movimento político humanizador-fraternizador que poder ou cristo algum pode deter.

Quantas, quantos reiteradamente se têm oposto e continuarão a opor a esta realidade histórica, não têm futuro, por mais sangue que insistam em fazer correr sobre a terra. Porque o grão de mostarda, o grão de trigo e o fermento podem desaparecer sob a terra e a massa, mas é assim que germinam e dão abrigo e pão outro que alimenta a vida humana liberdade e consciência, a qual até da morte faz um novo nascer para sempre. Por isso, o cristianismo, suas igrejas-empresa e todos os demais sistemas de poder económico-financeiro e político podem continuar demencialmente a fazer das suas, peritos que são em roubar, matar e destruir. Mesmo assim acabam por apressar o momento da chegada da plenitude da vida, da Humanidade-vasos-comunicantes, da paz desarmada, fruto da verdade e da justiça praticadas. Porque só Jesus, o alfa e o ómega do Humano, é o caminho, a verdade e a vida. O poder ou cristo que o mata é a porta larga que vai desaguar no Nada. Embora os seus agentes históricos, vítimas dele, e simultaneamente carrascos deles junto dos povos, acabem, no seu derradeiro expirar, todos humanos, por pura graça, no plena e integralmente Humano Jesus, o filho de Maria. Cantemos, pois, apesar das dores!

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