POEMAS EM HOMENAGEM A GRANDES POETAS
Joseph Brodsky
mundo, acolhe a alma
do poeta Joseph Brodsky
o menos que um,
o mais que todos
– da estepe a vasta voz –
Que não coube em seu próprio coração;
crescente nítida se faz
sua palavra, aura
da terra
– um só consolo
no vazio;
morto o poeta,
gira
no invisível
e aqui é sol
inextinguível
João Cabral de Melo Neto
ao meio dia de luz,
de sal, Recife e Sevilha,
poeta branco,
te recebem
a louca luz
que é bailarina
que é labareda e espiga
vence a miséria
do agreste:
reflete no sal,
na pedra, teu rosto
feio e triste, rosto crestado
teu rosto duro
como a seca
do Nordeste.
como seco é o teu poema
porém…
tuas palavras são só música
e só delas suportaste
ritmos e sons
– beleza dura
de uma nova arquitetura
em chão de barro
a lâmina do teu verso
– angústia e enxaqueca
mais a cegueira –
corta a redondilha
e a faz de pedra
pedra de sonho
reencontrado, branco,
ao meio-dia
no papel.
Mario Quintana
poeta da singeleza
de uma rua e cataventos
de leveza tão alegre
que em outros tempos cantaste;
tempos em que a cidade
ouvia teus lentos passos…
poeta, já não ressoam
teus passos nestas calçadas,
ressoam, sim, os teus versos
e suavemente florescem
nos jacarandás da praça,
em cada esquina e nas cores
do poente sobre o rio
que sempre morre e renasce.

