CARTA DO RIO – 131 por Rachel Gutiérrez

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POEMAS EM HOMENAGEM A GRANDES POETAS

Joseph Brodsky

 mundo, acolhe a alma

do poeta Joseph Brodsky

 

o menos que um,

o mais que todos

– da estepe a vasta voz –

Que não coube em seu próprio coração;

 

crescente nítida se faz

sua palavra, aura

da terra

– um só consolo

no vazio;

 

morto o poeta,

gira

no invisível

 

e aqui é sol

inextinguível

 

João Cabral de Melo Neto

 ao meio dia de luz,

de sal, Recife e Sevilha,

poeta branco,

te recebem

 

a louca luz

que é bailarina

que é labareda e espiga

vence a miséria

do agreste:

 

reflete no sal,

na pedra, teu rosto

feio e triste, rosto crestado

teu rosto duro

como a seca

do Nordeste.

 

como seco é o teu poema

 

porém…

 

tuas palavras são só música

e só delas suportaste

ritmos e sons

– beleza dura

de uma nova arquitetura

em chão de barro

 

a lâmina do teu verso

– angústia e enxaqueca

mais a cegueira –

corta a redondilha

e a faz de pedra

 

pedra de sonho

reencontrado, branco,

ao meio-dia

no papel.

 

Mario Quintana

 poeta da singeleza

de uma rua e cataventos

de leveza tão alegre

que em outros tempos cantaste;

 

tempos em que a cidade

ouvia teus lentos passos…

 

poeta, já não ressoam

teus passos nestas calçadas,

 

ressoam, sim, os teus versos

e suavemente florescem

nos jacarandás da praça,

em cada esquina e nas cores

do poente sobre o rio

 

que sempre morre e renasce.

 

 

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