A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Nunca ponho em causa a importância do papel que o Partido Comunista Português desempenhou na luta contra a ditadura fascista, nem esqueço a coragem e a inteligência de muitos dos seus militantes – tive e tenho bons amigos no PCP, nutrindo por muitos deles uma sincera admiração. Alguns desses amigos já não são vivos – lembro com muita saudade Rui Mário Gonçalves, Urbano Tavares Rodrigues, António Vicente Campinas, Luís de Albuquerque, Óscar Lopes, Orlando da Costa, Manuel Ferreira… e Luís Pacheco que, na Feira do Livro onde foi autografar livros (de pijama) me disse ter acabado de aderir. A razão alegada, terei sido dos primeiros a conhecê-la – fora ao funeral do Ary dos Santos e achou que a bandeira do partido sempre agasalhava… Claro que só refiro o nome de militantes ou simpatizantes conhecidos – ao longo da minha vida cruzei-me com muitos elementos do PC – em 1965, no período da Crise Académica, no Aljube e depois no Reduto Sul do Presídio de Caxias, éramos, salvo erro, 22 e só eu e o “Conde” não estávamos ligados ao PCP. Eu era acusado de pertencer à Frente de Acção Popular e o “Conde”, apesar de monárquico, participara no assalto ao quartel de Beja. Muitos desses pecepistas, dirigentes de associações académicas, derivaram para outras paragens. Alguns foram ministros depois de Abril. Quase todos emigraram para o PS.