EDITORIAL – O primeiro dia de Trump

 

Imagem2Donald Trump, no primeiro dia do seu mandato, fiel ao que prometera durante a campanha, reverteu decretos de Obama, e demonstrou que está disposto a levar por diante a política apoiada em pilares de reacionarismo, de discriminação racial, de desprezo pelos direitos das minorias e pelas leis que consagram os direitos da mulher… enfim, não estava a brincar quando ameaçou. As manifestações que ocorreram nas cidades norte- americanas e de outros países, constituem uma situação inédita: os cidadãos norte-americanos, demonstram que alguma coisa está errada num sistema eleitoral que permite que alguém que teve menos quase três milhões de votos do que a candidata democrata, vença as eleições. Já o dissemos e repetimos – nada lucraríamos com a eleição de Hillary – os «presidentes simpáticos», deram mão livre ao Pentágono para invadir estados soberanos, neles implantando o seu conceito de democracia.

Um exemplo – Saddam Hussein era, de facto um ditador brutal; pertencente à minoria sunita (apenas um quinto da maioria xiita). Suprimiu os movimentos xiitas e curdos e os cargos de maior responsabilidade eram entregues a sunitas – nacionalizou o petróleo, assumiu o controlo dos bancos… em 1982 mandou executar 148 xiitas – etc., etc., etc. – um déspota. O simpático George W. Bush acusou Saddam de possuir armas de destruição maciça e resolveu organizar uma aliança militar com o Reino Unido e invadir o Iraque.

As tropas «libertadoras», nunca encontraram o arsenal atómico e a centena e meia de xiitas executados, teve uma contrapartida exemplar – quando os «libertadores» abandonaram o país, deixaram para trás centenas de milhares de mortos (há quem fale num milhão…) e um território em ruínas. Mas a democracia prevaleceu – o Partido Baath foi dissolvido, Saddam Hussein enforcado… e os 148 xiitas foram vingados – um milhão de mortos! Lembramos o documentário que as estações televisivas mostraram.

Na manhã em que se deu a invasão, Bagdad vivia um dia como os outros . as esplanadas  estavam cheias, as mulheres andavam às compras… Mas não havia democracia. É verdade, não havia tal coisa; mas também não havia armamento nuclear. E se houvesse? O Estado de Israel possui tal tipo de armamento. França, China, Coreia do Sul (e a do Norte), o Reino Unido, a Rússia e muitos dos estados que integravam a União Soviética, têm armas atómicas. Por que razão os Estados Unidos não vão à República Popular da China desmantelar o arsenal e repor a democracia? Donald Trump assume com brutalidade a sua condição de imperador. Se lhe apetecer incendeia Roma.

As manifestações que hoje foram feitas por esse mundo fora, incluindo nas nossas cidades, só fazem sentido porque se reconhece que os E.U.A. são os donos do mundo. Todos os presidentes norte-americanos, mais ou menos sorridentes, cometeram prepotências. Parece que o negócio de venda de armamento nunca foi tão volumoso como durante o consulado de Obama.

Trump é um ser boçal e repelente? É.

E o que temos nós a ver com isso?

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