EDITORIAL – A ESQUERDA CONTRA O CENTRO-ESQUERDA

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Amanhã, 25 de Janeiro, vai decorrer em França um debate que poderá influenciar decisivamente a segunda das eleições primárias para escolher o candidato socialista às eleições presidenciais marcadas para Abril próximo. Opõem-se Benoît Hamon, que foi ministro da educação durante alguns meses em 2014, e Manuel Valls, que abandonou o cargo de primeiro-ministro para concorrer a estas eleições. Clicando no primeiro link abaixo, e noutros no texto a que terão acesso, conseguirão ter uma ideia do que separa os candidatos. O rendimento universal para todos (revenu universel d’existence), as regras orçamentais europeias e a construção do aeroporto de Notre Dame des Landes, no departamento de Loire-Atlantique, no ocidente do país, são alguns exemplos do que os separa.

Parecem haver diferenças significativas entre o programa dos dois candidatos, embora pertençam ao mesmo partido. Não é novidade, em França ou noutro país, haver divergências significativas entre propostas do mesmo partido; contudo, aos olhos da opinião pública, a imagem do partido em questão normalmente não sai favorecida de uma situação deste tipo. Olhando a situação em termos de coerência ideológica, é claro que as propostas de Hamon estão mais próximas das que se deveria esperar de um partido socialista; simplesmente desde há décadas que os partidos socialistas, nomeadamente os que se mantêm no campo da II Internacional, por táctica eleitoral se têm aproximado do centro político, e o êxito conseguido por alguns deles, como será o caso do partido trabalhista britânico com Tony Blair ou do partido socialista francês com Mitterand e François Hollande, fez com que se convencessem de estarem no caminho certo. O “socialismo na gaveta” para usarmos a expressão de Mário Soares pareceu ser um caminho rentável, pelo menos no que respeitava a tomada e manutenção do poder.

Nos Estados Unidos o que se passou com o partido democrata, sobretudo a partir de Bill Clinton, tem bastantes semelhanças com a evolução deste lado do Atlântico. Assim abriram o caminho a Donald Trump, como descreve magistralmente Jeffrey St. Clair (clicar no segundo link  abaixo) e agora parecem querer fazer o mesmo com Marine Le Pen, já não falando de François Fillon, cujas posições não parecem assim tão diferentes das da chefe da Frente Nacional (terceiro link).

http://www.lemonde.fr/election-presidentielle-2017/article/2017/01/24/primaire-a-gauche-le-duel-se-tend-entre-hamon-et-valls_5068285_4854003.html

https://aviagemdosargonautas.net/2017/01/23/o-cataclismo-notas-sobre-o-dia-das-eleicoes-e-a-politica-da-hubris-por-jeffrey-st-clair/

https://www.publico.pt/2016/11/21/mundo/noticia/se-fillon-enfrentar-marine-le-pen-em-quem-votara-a-esquerda-francesa-1752031

 

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