
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.

New York Post: um verdadeiro furo jornalístico? Eis aqui a verdade de Report, Corriere della Sera
Por Paolo Mondani e Elisabeta Gherardi, New York Post: un vero scoop? Ecco la verità di ReportNew York Post: un vero scoop?
Corriere della Sera, 17 de Junho de 2016
Desde há dois anos que Report se ocupa da morte de David Rossi e, depois de ter estudado o caso durante 4 meses, fizemos o filme “O Monte dos mistérios”. A equipa de Report encontrou muitos mistérios e não o tão agora famoso que é relatado pelo tablóide americano.
O New York Post publicou parte do vídeo gravado pela câmara de serviço colocada no beco de Monte Pio (um beco sem saída que contorna a parede lateral do banco Monte dei Paschi di Siena) mostrando o corpo de David Rossi em plena queda do terceiro andar para o chão na noite de 6 de março de 2013. Vêem-se as imagens de um senhor vestido de azul-bomba e de um outro homem atrás dele que se avizinham do corpo de David Rossi, o que faz dizer ao NYP que o seu comportamento é no mínimo suspeito porque, apesar de terem visto tudo, não deram o alarme nem prestaram o mínimo socorro. Na nossa opinião, este furo de reportagem jornalística sensacional, a scoop, não é nenhum furo de reportagem, basta verificar os factos a partir dos documentos constantes da investigação, as declarações que nos foram feitas e que publicámos e vejam o vídeo com atenção.
Quando em 23 de novembro de 2014 nós exibimos o episódio “O monte dos mistérios” reconstituindo os minutos após a queda de David Rossi, descobrimos três elementos até agora não desmentidos.
O primeiro. Às 20 e 27, hora do vídeo, um homem entra no beco. De acordo com o Ministério Público de Siena a câmara marca dezasseis minutos a menos que o tempo real e apresenta esta pessoa como aquela que às 20 e 40 chamou a polícia. Mas o técnico que extraiu as imagens (que consultámos) e as entregou ao Ministério Público afirmou exatamente o contrário. E é por isso que, a fim de ter o tempo real não tem que adicionar 16 minutos mas sim tirá-los. Assim sendo, o homem desconhecido entra em cena às 20h e 11min e não às 20h e 40min, vê o corpo de David Rossi e vai-se embora. Daí até à chegada dos primeiros socorros vai passar mais de meia hora. Este é o único homem do mistério, o que não dá o alarme e desaparece imediatamente e que os investigadores foram incapazes de identificar.
O segundo. Poucos minutos depois, o vídeo da câmara mostra um objeto que cai vindo de cima sobre o corpo de David Rossi e ressalta para trás do corpo deste. De acordo com Luca Scarcelli, perito da parte civil, esse objeto é compatível como sendo o relógio de Rossi, conforme as fotografias dos documentos caídos no chão atrás do corpo de Rossi. Comparando horários, descobre-se que esse objeto cai no chão na mesma altura em que o telefone de David Rossi foi utilizado – e que foi encontrado sobre a sua secretária no seu gabinete em que alguém digitou 4099009. Talvez se trate de um número de telefone não digitado por inteiro, mais provavelmente sejam os números de uma conta bancária. A pessoa responsável é atualmente desconhecida, assim como não há nenhuma reconstrução oficial que explique como é possível que no mesmo instante salte um objeto da janela do escritório de Rossi e sobre o seu telefone tenha sido digitado na mesma altura um número.
O terceiro. Nas horas seguintes no PC de David Rossi registam-se alguns acessos anómalos através da sua password pessoal. Massimo Rebucci, o porteiro de serviço naquela noite no banco Monte dei Paschi diz-nos que no banco havia pelo menos 10 a 15 pessoas. Enquanto na Procuradoria foram entrevistadqs apenas três.
No vídeo da câmara de vigilância, cerca das 20.48 (tempo real) aparecem os dois homens mostrados pelo NYP. Mas são as primeiras pessoas do MPS que descobrem o corpo de Rossi, na sequência de um pedido feito pela esposa do David que preocupada com o seu atraso tinha-lhes pedido para o procurarem. Na nossa opinião, trata-se de Giancarlo Filippone, amigo e secretário de Rossi, e Bernard Major, então diretor Financeiro do banco, que chamou logo depois a polícia e o 118. A história merece seguramente ser aprofundada mas não nos parece que sejam estes dois os homens do mistério: toda esta história tem ainda muitos mais enigmas complicados para resolver.
Paolo Mondani, Elisabetta Gherardi, Corriere della Sera, New York Post: un vero scoop? Ecco la verità di ReportNew York Post: un vero scoop?
Ecco la verità di Report. Disponível em :
Veja-se ainda os vídeos:
http://nypost.com/video/i-believe-he-knew-too-much/
http://www.report.rai.it/dl/Report/puntata/ContentItem-7be5750f-d84e-47d0-8a70-80af73f59e34.html
http://www.rai.it/dl/RaiTV/programmi/media/ContentItem-5baeee71-ce21-4865-8506-2ac9f84291e2.html
