Prosseguimos a publicação de depoimentos e mensagens que nos vão chegando sobre esta dúvida que se levanta sobre a autoria do poema «Cantar Alentejano», que faz parte do álbum «Cantigas de Maio«, editado em 1971. Na sua mensagem, o cantautor A,P, Braga colocava uma pergunta pertinente – por que motivo o problema só se coloca depois das mortes do Zeca e do António Vicente? A resposta é, no entanto, evidente: porque, quer Zeca quer o modesto poeta algarvio eram homens íntegros e não deixariam que pairasse uma dúvida desta natureza.
O argonauta Álvaro José Ferreira, particularmente interessado na história da Rádio e que tem revelado esquecimentos imperdoáveis que a Rádio e Televisão do Estado cometem e igualmente destacado pérolas que passaram despercebidas do grande público diz; «Quanto à autoria de “Cantar Alentejano”, lamento não estar em posição de dar um bom contributo para o esclarecimento do assunto. Posso, em todo o caso, informá-lo de que num disco relativamente recente, de um grupo chamado Contracorrente, a autoria da letra vem creditada em nome de Vicente Campinas. Desconheço qual terá sido a fonte mas é de admitir que tenha sido a SPA. E se assim está na SPA, é porque existe, presumo eu, uma prova documental assinada pelo autor. »[…]No site do PCP, a autoria do poema também está atribuída a Vicente Campinas (http://www.pcp.pt/actpol/temas/pcp/catarina/poema)».
Anália Gomes, que tem sido a alma desta busca, por seu turno, encontrava a ficha técnica do disco mencionado por Álvaro José Ferreira:
“A Morte Saiu à Rua” – Prémio Adriano Correia de Oliveira /// Adriano Correia de Oliveira Award [Festival Cantar Abril 2013]
A Morte Saiu à Rua (EP Contracorrente, d’Eurídice 2013) – Autoria / Author: José Afonso + Vicente Campinas “Cantar Alentejano” (Portugal)
Arranjo / Arrangement: Manuel Maio – André Cardoso (guitarra / guitar) | Gil Abrantes (saxofone / saxophone) | Manuel Maio (violino / violin) | Miguel Calhaz (contrabaixo / double bass) | Rui Silva (percussão tradicional / traditional percussion) | Sara Vidal (voz / vocal) www.dorfeu.pt/contracorrente

Entendo que a ficha técnica do disco não prova de modo algum que a letra seja de Vicente Campinas. Ter-se-ão os músicos e a editora baseado nas fontes que circulam na net? OU terão abordado a Sociedade Portuguesa de Autores, até pela questão dos direitos de autor. Questão a merecer atenção.
Quanto à simpática observação de Carlos Loures (no sentido de que a escriba que aqui se expressa seria “a alma da busca”), gostaria de esclarecer que a busca de fontes credíveis tem sido levada a cabo tanto por mim como por Mário Lima. É certo que durante alguns meses mantivemos uma “teima”, saudável, na página do grupo “Tributo a Zeca Afonso”. É sabido que o poema consta no 1.º livro de poesia de José Afonso – “Cantares”, de 1966, e, também, no livro que reúne a obra completa “José Afonso, Textos e Canções”. Ainda assim, havia quem defendesse que tal poderia dever-se a um lapso na 1.ª edição de “Cantares”. Sabe-se, porém, que José afonso acompanhou a par e passo, com Elfriede Engelmayer, a revisão da 1.ª edição de “José Afonso, Textos e Canções” aquando da publicação de 2.ª. Não é credível que se José Afonso não fosse o autor do poema deixasse que o mesmo fosse inserido.
Não me tendo sido possível consultar a obra completa de Vicente Campinas, foi determinante tropeçar por acaso na carta de Zeca Afonso aos pais, em maio de 1964, transcrita no site da AJA, referindo ter cantado, pela primeira vez em Grândola em 17 de maio desse mesmo ano, uma canção de homenagem a Catarina Eufémia, que havia criado na véspera. A partir daí, Mário Lima localizou o poema “Catarina” de Campinas, e tem vindo a localizar outros documentos de que daremos devida conta.
Entendo que a ficha técnica do disco não prova de modo algum que a letra seja de Vicente Campinas. Ter-se-ão os músicos e a editora baseado nas fontes que circulam na net? OU terão abordado a Sociedade Portuguesa de Autores, até pela questão dos direitos de autor. Questão a merecer atenção.
Quanto à simpática observação de Carlos Loures (no sentido de que a escriba que aqui se expressa seria “a alma da busca”), gostaria de esclarecer que a busca de fontes credíveis tem sido levada a cabo tanto por mim como por Mário Lima. É certo que durante alguns meses mantivemos uma “teima”, saudável, na página do grupo “Tributo a Zeca Afonso”. É sabido que o poema consta no 1.º livro de poesia de José Afonso – “Cantares”, de 1966, e, também, no livro que reúne a obra completa “José Afonso, Textos e Canções”. Ainda assim, havia quem defendesse que tal poderia dever-se a um lapso na 1.ª edição de “Cantares”. Sabe-se, porém, que José afonso acompanhou a par e passo, com Elfriede Engelmayer, a revisão da 1.ª edição de “José Afonso, Textos e Canções” aquando da publicação de 2.ª. Não é credível que se José Afonso não fosse o autor do poema deixasse que o mesmo fosse inserido.
Não me tendo sido possível consultar a obra completa de Vicente Campinas, foi determinante tropeçar por acaso na carta de Zeca Afonso aos pais, em maio de 1964, transcrita no site da AJA, referindo ter cantado, pela primeira vez em Grândola em 17 de maio desse mesmo ano, uma canção de homenagem a Catarina Eufémia, que havia criado na véspera. A partir daí, Mário Lima localizou o poema “Catarina” de Campinas, conforme já referido em textos anteriores já aqui publicados. Outros documentos comprovativos da autoria de José Afonso foram entretanto localizados. Daremos devida conta em próxima contribuição.