
Selecção de Júlio Marques Mota
Rede Voltaire
O triplo jogo dos Neo-conservadores
Laurent Guyénot, O triplo jogo dos neo-conservadores
Para bem atingir os seus sonhos megalómanos de domínio mundial, os neo- conservadores desenvolveram um triplo discurso, como mostra Laurent Guyénot neste ensaio: uma filosofia cínica da política elaborada pelo seu mestre pensador, Léo Strauss, para consumo interno; uma análise fria dos interesses estratégicos israelitas quando eles aconselham os dirigentes de Telavive; e uns alertas alarmistas face a perigos imaginários para a opinião pública dos EUA.
REDE VOLTAIRE | 1 DE MARÇO DE 2013
(continuação)
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Se estamos autorizados a considerar os neo-conservadores como sionistas, é sobretudo constatando que as suas escolhas em política externa coincidiram sempre de forma perfeita com o interesse de Israel (tal como eles o concebem), ao ponto de suscitar legítimas interrogações sobre a sua lealdade principal. O interesse de Israel é desde sempre entendido como estando dependente de duas coisas: a imigração dos judeus da Europa do Leste e o apoio financeiro dos judeus do Ocidente (americanos e, em menor escala, europeus). Até 1967, o interesse nacional fazia pender Israel para a União Soviética, enquanto o apoio dos judeus americanos permanece restrito. A orientação socialista e colectivista do Partido trabalhista, fundador e maioritário, a isso o inclinam, mas as suas boas relações com a URSS de então explicam-se sobretudo pelo facto da imigração maciça de judeus não ser possível senão pela boa vontade do Kremlin. Durante os três anos a seguir à partida dos Britânicos (1948) que tinham até lá limitado a imigração por consideração para com a população árabe, 200.000 judeus polacos refugiados na URSS foram autorizados a viajar para a Palestina, enquanto outros afluem da Roménia, Hungria e Bulgária.
Mas a guerra dos Seis Dias marca uma viragem: em 1967, Moscovo protesta contra a anexação por Israel de novos territórios rompendo as suas relações diplomáticas com Telavive e parando subitamente a emigração dos seus cidadãos judeus, que tinha sido entretanto acelerada nos meses precedentes. Foi a partir desta data que a Commentary se torna, no dizer de Benjamin Balint, «o magazine polémico que transformou a esquerda judia numa direita neo-conservadora». [14]. Desde logo, os neo-conservadores tomam, com efeito consciência que a sobrevivência de Israel — e se possível a sua expansão territorial — depende da ajuda e da protecção militar norte-americana, e simultaneamente que a necessária imigração não poderá ser atingida senão pela queda do comunismo. Estes dois objectivos convergem na necessidade de reforçar o poder militar dos Estados-Unidos. Esta é a razão pela qual, escreve Irving Kristol na revista do American Jewish Congress – (Congresso Judeu Americano, NdT)- em 1973, é preciso combater a proposta de George McGovern de reduzir o orçamento militar em 30 %: «É colocar uma faca no coração de Israel. […] Os judeus não gostam de grandes orçamentos militares, mas, agora, é do interesse dos judeus ter um grande e poderoso aparelho militar nos Estados-Unidos. […] Os judeus americanos que se preocupam com a sobrevivência do Estado de Israel devem dizer ‘não, nós não queremos reduzir o orçamento militar, é importante conseguir um grande orçamento militar, afim de poder defender Israel». [15] Compreende-se melhor a realidade de que Kristol falava, quando ele definia, numa fórmula célebre, um neo-conservador como «um liberal que tinha sido confrontado com a realidade». [16]

Henry Scoop Jackson (1912-1983)
No final dos anos 60, os neo-conservadores apoiam a franja militarista do partido democrata, cuja figura de proa, após a retirada de Lyndon Johnson, é o senador Henry Scoop Jackson, partidário da guerra do Vietname e opositor a qualquer ideia de “detente”, concorrente de McGovern nas primárias – (eleições dentro partido, NdT) – de 1972. Richard Perle redige a emenda Jackson-Vanik, que condiciona a ajuda alimentar à URSS à livre emigração dos judeus. Foi também no seio do gabinete de Scoop Jackson que se forjou a aliança entre os neo-conservadores e o tandem Rumsfeld-Cheney, que aproveita a brecha do Watergate para aderir ao campo republicano e investir para a Casa-Branca. Perle coloca os seus protegidos Paul Wolfowitz e Richard Pipes à cabeça do «Grupo B» (Team B), um conselho criado para rever em alta as estimativas da CIA sobre a ameaça soviética, cujo relatório, maliciosamente, alarmista, pregando um aumento dramático do orçamento da Defesa, é publicado na Commentary. [17] Durante o parêntesis Carter, os neo-conservadores associam-se aos cristãos evangélicos, vísceralmente anti-comunistas e naturalmente favoráveis em relação a Israel, que eles vêem como um milagre divino pré-figurando o retorno de Cristo.
Henry Scoop Jackson (1912-1983)
Graças à força dos seus lobbis e think tank (nomeadamente o American Enterprise Institute for Public Policy Research [18] e o Hudson Institute), os neo-conservadores jogam uma cartada decisiva na eleição de Ronald Reagan, que lhes retribui nomeando uma dezena de entre eles para postos que vão desde a Segurança nacional à Política externa: Richard Perle e Douglas Feith para o Department of Defense, Richard Pipes para o National Security Council [19], Paul Wolfowitz [20], Lewis «Scooter» Libby e Michael Ledeen para o State Department. Eles trabalham para reforçar a aliança dos Estados-Unidos com Israel: em 1981, os dois países assinam o seu primeiro pacto militar, depois embarcam em várias operações comuns, algumas legais e outras clandestinas como a rede de tráfico de armas e de operações paramilitares do negócio Irão-Contras. Anti-comunismo e sionismo estão, agora, tão bem coligados que em 1982, no seu livro Le Vrai antisémitisme en Amérique – (O real anti-semitismo na América,NdT) [21], o director da Anti-Defamation League Nathan Perlmutter pode assimilar o movimento pacifista dos «ultrapassados artesãos da paz do Vietname, transmutando as espadas em relhas de arados» [22], a uma nova forma de anti- semitismo. [23]
Com o fim da Guerra fria, o interesse nacional de Israel muda de novo. O objectivo prioritário deixou agora de ser a queda do comunismo, mas sim o enfraquecimento dos inimigos de Israel. Os neo-conservadores vivem a sua segunda conversão, do anti-comunismo à islamofobia, e criam novos think tanks como o Washington Institute for Near East Policy – (sigla em inglês para Instituto de Washigton para a Política do Próximo-Oriente)- (WINEP) dirigido por Richard Perle, o Middle East Forum dirigido por Daniel Pipes (o filho de Richard), o Center for Security Policy (CSP) fundado por Frank Gaffney, ou ainda o Middle East Media Research Institute (Instituto de Pesquisa para a Media do Médio-Oriente,NdT)(Memri). Entretanto, ao aceder à presidência, Bush pai tenta limitar a influência destes que ele apelida «os loucos». [24] Ele cultiva as relações com a Arábia saudita e não é um amigo de Israel. Mas é forçado a conceder o posto de secretário da Defesa a Dick Cheney [25], que se rodeia de Paul Wolfowitz e Scooter Libby. Estes dois homens são os autores de um relatório secreto do Defense Planning Guidance – (Guia do Planeamento de Defesa, NdT), passado à imprensa [26], que prega o imperialismo, o unilateralismo e, se necessário, a guerra preventiva «para dissuadir os potenciais competidores a sequer aspirar a um papel regional ou global maior». [27] Com a ajuda de um novo Committee for Peace and Security in the Gulf (Comité para a Paz e Segurança no Golfo,NdT), co-presidido por Richard Perle, os neo-conservadores advogam, sem sucesso, pelo derrube de Saddam Hussein após a operação Tempestade do Deserto no Koweit. Desapontados pela recusa de Bush, (pai – NdT), de invadir o Iraque e pelas suas pressões sobre Israel, os neo-conservadores sabotam as suas hipóteses de um segundo mandato. A sua desforra será completa quando eles conseguem a eleição do seu filho para o levar a invadir o Iraque.
No entre-tempo, durante os dois mandatos do democrata Bill Clinton, os neo- conservadores preparam o seu retorno. William Kristol, o filho de Irving, funda em 1995 um novo magazine, o Weekly Standard, que graças ao financiamento do muito pró-Israel Rupert Murdoch, se torna imediatamente a voz dominante dos neo-conservadores. Em 1997, esta será a primeira publicação a exigir uma nova guerra contra Saddam Hussein. Com os seus porta-vozes Rumsfeld e Cheney, os neo- conservadores lançam todo o seu peso num último think tank, o Project for the New American Century (PNAC) – (sigla em inglês para Projecto para o Novo Século Americano, NdT). O nobre fim que se atribuem oficialmente os fundadores, William Kristol et Robert Kagan, é de «estender a actual Pax Americana» [28], o que supõe «um exército que seja forte e pronto para responder aos desafios presentes e futuros». [29] No seu relatório de setembro de 2000 intitulado Reconstruir as Defesas da América, [30], o PNAC antecipa que as forças armadas dos Estados-Unidos devem conservar forças suficientes para serem «capazes de se desdobrar rapidamente e de conduzir vitoriosamente vários grandes conflitos em simultâneo». [31] Isto requer uma transformação profunda, incluindo um novo corpo («U.S. Space Forces») para o controlo do espaço e do ciberespaço, e o desenvolvimento de «uma nova família de armas nucleares destinada a fazer face a novas necessidades militares». [32] Infelizmente, reconhecem os autores do relatório, «o processo de reconversão […] será seguramente longo, a menos que surja um acontecimento catastrófico jogando o papel de catalisador — como um novo Pearl Harbor». [33] Embora fora do governo, os neo-conservadores aí continuam a ser bem escutados.
Com a designação em 2000 de George W. Bush, filho de George H. W. Bush, uma vintena de neo-conservadores do PNAC são investidos em numerosos postos chave da política externa, graças a Dick Cheney que, após se ter escolhido a ele próprio como vice-presidente, tem por missão formar a equipe de transição. Cheney escolhe como chefe de gabinete Scooter Libby. David Frum, um próximo de Richard Perle, torna-se o principal redactor dos discursos do presidente, enquanto que Ari Fleischer, um outro neo-conservador, é adido de imprensa e porta-voz da Casa-Branca. Cheney não se pode opor à nomeação de Colin Powell como secretário de Estado, mas ele impõe-lhe como colaborador John Bolton, republicano sionista de extrema direita, [34] secundado pelo neo-conservador David Wurmser. Cheney faz nomear como conselheira nacional de segurança Condoleezza Rice [35], que não é propriamente falando neo-conservadora mas que estava ligada há vários anos a um dos neo- conservadores mais agressivos, Philip Zelikow, como perito do Próximo-Oriente e do terrorismo, (sendo ela não mais que especialista sobre a União soviética e acessoriamente pianista virtuosa); para assessorar Rice são igualmente recrutados William Luti e Elliot Abrams, (ambos simultaneamente assistentes do presidente). Mas será sobretudo a partir do Departamento da Defesa, confiado a Donald Rumsfeld, que os três neo-conservadores mais influentes vão poder modelar a política externa: Paul Wolfowitz, Douglas Feith e Richard Perle, este último ocupando o posto chave de director do Defense Policy Board (Gabinete da Política de Defesa,NdT), encarregado de definir a estratégia militar. Assim, todos estes neo- conservadores se encontram no lugar que eles preferem, o de conselheiros e eminências pardas dos presidentes e ministros. Falta apenas o «novo Pearl Harbor», do 11 de setembro de 2001, para que os neo-conservadores possam conduzir os Estados-Unidos para as guerras imperiais dos seus sonhos. Antes do 11-Setembro, o relatório do PNAC pedia um orçamento anual da Defesa de 95 biliões de dólares; desde a guerra no Afeganistão, os Estados-Unidos despendem 400 biliões por ano, ou seja tanto como o resto do mundo todo junto, continuando ao mesmo tempo a fornecer a metade do armamento do mercado mundial. O 11-Setembro apareceu como a validação do paradigma do «Choque das civilizações» [36] caro aos neo- conservadores.

Discursos-reflexos
A obra publicada em 2007 por John Mearsheimer e Stephen Walt, Le lobby pro- israélien et la politique étrangère américaine (O lobbi pró-israelita e a política estrangeira Americana,NdT) [37], provocou uma onda de choque na opinião pública americana ao revelar a considerável influencia dos grupos de pressão pró-Israel, dos quais o mais antigo é a Zionist Organization of America (Organização Sionista da América,NdT) e o mais influente desde os anos 70, o American Israel Public Affairs Committee (Comité de Relações Públicas Americano-Israelita,NdT) (AIPAC). «Nós pensamos, escrevem os autores, que as actividades do lobbi são a principal razão pela qual os Estados-Unidos prosseguem no Médio-Oriente uma política desprovida de coerência, estratégica ou moral.» A tese dos autores está incompleta, porque eles não evocam o papel desempenhado no próprio interior do aparelho de Estado pelos neo-conservadores, que formam o outro braço de uma tenaz que mantêm os Estados- Unidos prisioneiros actualmente.
As duas forças que constituem os cripto-sionistas infiltrados no governo e a pressão do lobbi pró-Israel sobre o Congresso agem numa panelinha por vezes criminosa, como o ilustra a inculpação em 2005 de Lawrence Franklin, membro do Office of Special Plans, por ter transmitido documentos classificados da defesa a dois responsáveis do AIPAC, Steven Rosen e Keith Weissman, que os transmitiram por sua vez a um alto funcionário de Israel. [38] Franklin foi condenado a treze anos de prisão (reduzidos em seguida a dez anos de prisão domiciliária), enquanto que Rosen e Weissman foram ilibados. A maior parte dos neo-conservadores são membros activos do segundo lobbi pró-Israel, o mais poderoso, o Jewish Institute for National Security Affairs-(Instituto Judaico para os Assuntos de Segurança Nacional, NdT) (JINSA), ao qual pertencem igualmente Dick Cheney, Ahmed Chalabi [39] e outros membros da cabala que fomentou a invasão do Iraque. Colin Powell, segundo a sua biógrafa Karen DeYoung [40], vociferava em privado contra o «o governozinho paralelo» [41] composto por «Wolfowitz, Libby, Feith, and Feith’s ‘Gestapo office’», que ele chamava «a cambada do JINSA». [42]
Em 2011, o seu antigo director de gabinete Lawrence Wilkerson [43] denunciava abertamente a duplicidade dos neo-conservadores: «Eu via muitos destes tipos, incluindo Wurmser, como membros do Likud, tal como Feith. Vós não iríeis abrir a sua carteira para lá encontrar um cartão do partido, mas eu perguntei-me muitas vezes se a sua lealdade principal era para com o seu país ou para com Israel. Era o que me incomodava, porque o muito que fizeram e disseram refletia mais os interesses de Israel que os nossos». [44] De facto, um numero significativo de neo- conservadores são cidadãos israelitas, tem a família em Israel ou aí residiram eles próprios. Certos são declaradamente próximos do Likud, o partido no poder em Israel, e vários foram mesmo oficialmente conselheiros de Benyamin Netanyahou. Um grande numero de entre eles são regularmente felicitados pela imprensa israelita pela sua acção em favor de Israel, como Paul Wolfowitz, nomeado «Man of the Year», (Personalidade do Ano,NdT), pelo muito pró-Likud Jerusalém Post em 2003, e «a mais belicista voz pró-Israelita da Administração» [45] pelo quotidiano judeu americano The Forward.
Por muito perturbante que seja, a duplicidade dos neo-conservadores é uma conclusão hoje em dia largamente partilhada, até mesmo publicamente denunciada, por um grande numero de observadores. O sociólogo James Petras vê neles a ponta de lança de uma nebulosa do poder sionista no seu livro O sionismo, o militarismo e o declínio do poder dos EU . [46] Jonathan Cook argumenta em Israel e o choque das civilizações: Iraque, Irão e o plano de remodelação do Próximo-Oriente [47] (2008) que a «guerra contra o terror» dos neo-conservadores tem como fim último fazer de Israel a única potência do Próximo-Oriente. A demonstração desta duplicidade foi feita igualmente por Stephen Sniegoski que chega à mesma conclusão em La Cabale transparente: l’agenda néoconservateur, la guerre au Proche-Orient et l’intérêt national d’Israël (A Cabala transparente: a agenda neo-conservadora, a guerra no Próximo-Oriente e o interesse nacional de Israel,NdT). [48] Destes três livros publicados em 2008, nós copiamos o essencial do que se segue. A demonstração da duplicidade dos neo-conservadores repousa sobre a coincidência entre a fundação do PNAC em 1996 e a publicação pelo think-tank israelita Institute for Advanced Strategic and Political Studies (Instituto de Estudos Políticos e Estratégicos Avançados,NdT), de um relatório intitulado Uma rotura clara: uma nova estratégia para garantir a segurança do reino [de Israel]. [49] O relatório, dirigido ao Primeiro-ministro eleito, novamente Benjamin Netanyahou, convida-o « a mobilizar todas as energias possíveis para a reconstrução do sionismo» [50] o que supõe a rotura com o processo de Oslo, quer dizer abandonar a política «paz por terra» de restituição dos territórios ocupados, e reafirmar o direito de Israel sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. « A nossa reivindicação da terra — à qual nós ficamos agarrados por uma esperança de 2000 anos — é legitima e nobre. […] Só a aceitação incondicional pelos Árabes dos nossos direitos, em particular na sua dimensão territorial, “a paz pela paz”, será uma base sólida para o futuro». [51]
Os autores de Rotura clara encorajam pois o Primeiro-ministro israelita a adoptar uma política de anexação territorial contrária não somente à posição oficial dos Estados-Unidos e das Nações Unidas desde sempre, mas contrária igualmente ao discurso oficial de Israel. No momento em que assina, em setembro de 1999, a «Carta do roteiro» devendo conduzir a um Estado palestiniano e prosseguindo nesta via na cimeira de Camp David em julho de 2000, Netanyahou segue os conselhos da Rotura clara e trabalha secretamente para sabotar este processo. Netanyahou tem então por ministro dos Negócios estrangeiros Ariel Sharon, que qualifica abertamente os Acordos de Oslo como «suicídio nacional» e pronuncia-se pelas «fronteiras bíblicas», quer dizer um Grande Israel não deixando nenhuma terra aos Palestinianos: «Toda a gente deve correr e apoderar-se de todas as colinas que for possível para alargar os colonatos porque tudo o que nós apanharmos agora ficará nosso» [52], declarou ele a 15 de novembro de 1998. Em 1999, Sharon sucede à Netanyahou, que se torna, por sua vez, ministro dos Negócios estrangeiros. A 28 de março de 2001, a diplomacia internacional colocou a paz no Próximo-Oriente ao alcance da mão: 22 nações reunidas em Beirute sob a égide da Liga Árabe comprometem-se a reconhecer Israel sob a condição de aplicação da Resolução 242. Mas no dia seguinte, o exército israelita invade Ramallah e cerca Yasser Arafat no seu QG, ao arrepio dos protestos da comunidade internacional. Seis meses mais tarde, o 11-Setembro enterrará definitivamente o processo de paz.

«Richard Perle é um traidor, não há nenhuma outra maneira de o qualificar» afirmava o jornalista Seymour Hersh no The New Yorker ( a 17 de março de 2003), evocando as suas mentiras flagrantes sobre o Iraque (Perle respondeu na CNN que Hersh «era a coisa mais próxima que o jornalismo americano tinha de um terrorista»). Em 1970, uma escuta do FBI tinha surpreendido Perle transmitindo à embaixada de Israel informações classificadas obtidas de Hal Sonnenfeldt, membro do Conselho de segurança nacional. Perle trabalhou para a firma de armamento israelita Soltam, antes de fazer aconselhamento do primeiro-ministro israelita. Ele passa as suas férias na sua “villa” de Gordes, no Lubéron.
Para além desta política local, Rotura clara apresenta um plano permitindo a Israel «modelar o seu ambiente estratégico», começando por «retirar Saddam Hussein do poder no Iraque», depois enfraquecendo a Síria e o Líbano, e finalmente o Irão.
(continua)
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[14] «The Contentious Magazine That Transformed the Jewish Left into the Neoconservative Right.»
[15] «This is to drive a knife into the heart of Israel. […] Jews don’t like big military budget, but it is now an interest of the Jews to have a large and powerful military establishment in the United States. […] American Jews who care about the survival of the state of Israel have to say, no, we don’t want to cut the military budget, it is important to keep that military budget big, so that we can defend Israel.»
[16] «A liberal who has been mugged by reality.»
[17] «Les marionnettistes de Washington», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 13 de Novembro de 2002.
[18] «L’Institut américain de l’entreprise à la Maison-Blanche», Rede Voltaire, 21 de Junho de 2004.
[19] «Daniel Pipes, expert de la haine», Rede Voltaire, 5 de Maio de 2004.(Daniel Pipes, o perito do ódio)
[20] «Paul Wolfowitz, l’âme du Pentagone», por Paul Labarique, Rede Voltaire, 4 de Outubro de 2004.(Paul Wolfowitz, a alma do Pentágono)
[21] The Real Anti-Semitism in America, por Nathan Perlmutter, Arbor House Pub Co (1982).
[22] «Peacemakers of Vietnam vintage, transmutters of swords into plowshares»
[23] Dangerous Liaison: the Inside Story of the U.S.-Israeli Covert Relationship, por Andrew and Leslie Cockburn, Harpercollins (1991).
[24] «The crazies» – (os Loucos, NdT)
[25] «Dick Cheney, le patron des Républicains», Rede Voltaire, 18 de Outubro de 2004. (Dick Cheney, o patrão dos Republicanos, NdT)
[26] O assunto é revelado no «US Strategy Plan Calls For Insuring No Rivals Develop» por Patrick E. Tyler, no New York Times de 8 de Março de 1992. O quotidiano publica igualmente largos extratos na página 14: «Excerpts from Pentagon’s Plan: “Prevent the Re-Emergence of a New Rival”». Informações suplementares são apresentadas em «Keeping the US First, Pentagon Would preclude a Rival Superpower» por Barton Gellman, no The Washington Post de 11 de Março de 1992.
[27] «For deterring potential competitors from even aspiring to a larger regional or global role.»
[28] «Extend the current Pax Americana»
[29] «A military that is strong and ready to meet both present and future challenges.»
[30] Rebuilding America’s Defenses, versão francesa Reconstruire les défenses de l’Amérique descarregável, traduzida (para o francês) por Pierre-Henry Bunel para ReOpen911. (Reconstruir as defesas da América, NdT)
[31] «Able to rapidly deploy and win multiple simultaneous large-scale wars»
[32] «A new family of nuclear weapons designed to address new sets of militaryrequirements.»
[33] «The process of transformation […] is likely to be a long one, absent some catastrophic and catalyzing event — like a new Pearl Harbor.»
[34] «John Bolton et le désarmement par la guerre», Rede Voltaire, 30 de Novembro de 2004. (Jonh Bolton e o desarmamento pela guerra, NdT)
[35] «Condoleezza Rice, toujours “deux fois meilleure que les autres”», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 16 de Outubro de 2008. (Condoleeza Rice, sempre “duas vezes melhor que os outros, NdT)
[36] «La “Guerre des civilisations”», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 4 de Junho de 2004. (A guerra das civilizações, NdT)
[37] The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy por John J. Mearsheimer e Stephen M.Walt, Farrar Straus Giroux. Versão francesa: Le lobby pro-israélien et la politique étrangère américaine, La Découverte (2007). – (O lobbi pró-israelita e a política externa americana,NdT)
[38] «Washington soucieux de compromettre ses amis», pelo General Guennadi Evstafiev, Rede Voltaire, 25 de Novembro de 2005. «Un ex-cadre de l’AIPAC confirme l’accès du lobby aux secrets US», Rede Voltaire, 4 de Janeiro de 2011. – (Um ex-quadro do AIPAC confirma o acesso do lobbi aos segredos dos E.U., NdT)
[39] «Ahmed Chalabi, parcours d’un aventurier», Rede Voltaire, 31de Maio de 2004. (Ahmed Chalabi, percurso de um aventureiro,NdT)
[40] Soldier: The Life of Colin Powell, por Karen DeYoung, Vintage (2007)
[41] «Separate little government»
[42] «The JINSA crowd»
[43] «La cabale de la Maison-Blanche», por Lawrence B. Wilkerson, Rede Voltaire, 8 de Novembro de 2005. – ( A cabala da Casa-Branca, Ndt)
[44] «A lot of these guys, including Wurmser, I looked at as card-carrying members of the Likud party, as I did with Feith. You wouldn’t open their wallet and find a card, but I often wondered if their primary allegiance was to their own country or to Israel. That was the thing that troubled me, because there was so much that they said and did that looked like it was more reflective of Israel’s interest than our own.»
[45] «The most hawkishly pro-Israel voice in the Administration»
[46] Zionism, Militarism and the Decline of U.S. Power, por James Petras, Clarity Press (2008)
[47] Israel and the Clash of Civilisations Iraq, Iran, and the Plant to Remake the Middle East, por Jonathan Cook, Pluto Press (2008).
[48] The Transparent Cabal: The Neoconservative Agenda, War in the Middle East and the National Interest of Israel, pela Ihs Press (2008)
[49] A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm, IASPS, 8 de Julho 1996. Uma versão abreviada está disponível no site do IASPS. O conteúdo completo do documento é conhecido pelos relatórios revelados que o Guardian publicou à época.
[50] «To engage every possible energy on rebuilding Zionism,»
[51] «Our claim to the land — to which we have clung for hope for 2,000 years — is legitimate and noble. […] Only the unconditional acceptance by Arabs of our rights, especially in their territorial dimension, ‘peace for peace,’ is a solid basis for the future.»
[52] «Everybody has to move, run and grab as many hilltops as they can to enlarge the settlements because everything we take now will stay ours»
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Ver o original em:
http://www.voltairenet.org/article178109.html
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