EDITORIAL – SCOTEXIT?

Parece que vai haver um novo referendo na Escócia. O governo escocês, pela voz da sua líder Nicola Surgeon, manifestou o seu descontentamento com a efectivação do Brexit, e pretende salvaguardar a ligação do seu país à União Europeia. Assim, ainda não decorridos três anos sobre o anterior, em que a independência foi rejeitada, manifestou a intenção de propor um novo referendo, que seria para efectuar nos fins de 2018, princípios de 2019, quando as negociações do Brexit estiverem a chegar ao fim. A primeira ministra britânica Theresa May já se manifestou contra a iniciativa, mas é provável que o parlamento a aprove, até porque as sondagens estão a ser desfavoráveis ao sim à independência. O governo britânico entretanto pretende que o referendo se realize apenas depois de o Brexit estar consumado.

Será de ter em conta que, na Escócia, tal como na Irlanda do Norte, o resultado do referendo que conduziu ao Brexit, em Junho de 2016,  foi favorável à continuação do Reino Unido na UE. E que na Irlanda do Norte e mesmo no País de Gales e algumas regiões da Inglaterra também há quem manifeste descontentamento pela separação da UE. Não será exagerado prever que a ameaça da separação da Escócia terá efeitos nas movimentações políticas no Reino Unido. Mesmo que o Scotexit não se venha a efectivar. Contudo, também há que ter em conta que o nacionalismo escocês não vibra apenas em função de uma ligação à Europa, e ainda menos de uma ligação à UE.

Propomos que cliquem nos links abaixo:

https://www.publico.pt/2017/03/13/mundo/noticia/escocia-quer-avancar-com-referendo-antes-da-conclusao-do-brexit-1764996

http://bellacaledonia.org.uk/2017/03/13/its-scotlands-choice/

1 Comment

  1. “O nacionalismo escocês não vibra apenas em função ………” Necessariamente assim tem de ser. Muitas explicações podem ser dadas para tentar explicar a essência do Nacionalismo mas, no caso dos europeus, nunca se fala na justiça – a mais elementar – de que cada Nacionalidade queira – com toda a legitimidade – corresponder a um Estado e, como assim, não aceite tolerar ver-se submetida à autoridade dum estado colonizador . A Escócia, como qualquer outra Nacionalidade oprimida que, de facto, seja independentista terá as suas razões muito próprias que, pelo certo, não são aquilo a que é habitual mencionar-se e atribuir-se ao Nacionalismo. Os vários autoritarismos imperiais dos passados anos trinta insistiram muito, como exemplos mais frisantes, no nacionalismo alemão, no italiano, no espanhol, no britânico e no russo mas nenhum destes pode designar-se como tal já que os Estados em causa nada mais são que mantas de retalhos conseguidas à custa de várias Nacionalidades que foram dominadas tanto pela conquista militar como pelo malfadado direito dinástico. Sendo Portugal um estado em que só há uma Nacionalidade – uma exigência verdadeiramente Democrática – compete aos portugueses incentivar o seu exemplo a dar todo o apoio – senão mesmo instigar – todas as afirmações da Libertação Nacional.CLV .

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