EDITORIAL – PSD, um partido disfuncional

 

O PSD. Partido Social Democrata, foi formado a  partir do PPD – Partido Popular Democrático. Na genealogia do PSD entra o partido único do regime corporativo de Salazar, a União Nacional que Marcelo Caetano transformou em ANP – Acção Nacional Popular. Neste partido, criou-se uma «ala liberal», nas proximidades da Revolução de Abril- defendia este grupo de jovens deputados de direita o velho princípio de Lampedusa – para que o essencial se mantenha, é preciso que tudo mude – o fim da Guerra Colonial, a extinção da polícia política, a criação de partidos políticos… eram medidas necessárias aos poderes fácticos para que se mantivesse o essencial da política que desde 1926 dominava o País. Francisco Sá-Carneiro, Pinto Balsemão, Magalhães Mota, entre outros, gente da «ala liberal», fundaram o PPD que, em Novembro de 1976 passou a ser designado por PSD – Partido Social Democrata.

 

A  social-democracia pode definir-se como um ideal marxista, vindo do século XIX. Preconizava a instauração do socialismo por meios não violentos – através do exercício da democracia. No fundo, é a base ideológica do Partido Socialista. PSD é uma sigla visivelmente desajustada da prática política de um partido que herdou muito da estrutura da União Nacional – não falamos da roupagem, mas sim do coração, que bate ao compasso que o velho ditador instaurou e que durante quase 50 anos dominou a vida política do País.

O PSD , mais do que um partido, é um equívoco, uma amontoado de contradições – o discurso nada tem a ver com a prática, por detrás de cada palavra há a intenção oculta de manter intacta uma sociedade onde uma oligarquia domina os mecanismos – o princípio de que o poder deve estar em mãos de «homens bons, longe das unhas sujas da populaça, da turba, segundo a defimição de Platão na sua República. Diga-se que boa parte do Partido Socialista partilha esta visão do que deve ser um «Estado democrático».

A candidatura à presidência do município da capital, está a por a nu muitas das contradições que minam o PSD. Mas o «bom senso» irá por certo prevalecer. Gente mesquinha, agarrada aos seus interesses, saberá separar o essencial do acessório. Aquilo a que chamam democracia e que mais não é do que o direito de roubar milhões sem ir parar a Alcoentre, vai sobrepor-se a tudo. A «social-democracia» triunfará. O PSD não obedece a princípios – mas tem os seus fins muito bem definidos,

 

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