CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – ESPIONAGEM

 

 

São tão maus uns com o zoutros. Afinal e tanto faz.

Os que adquirem um poder informático total (e letal, se possível) como a CIA, ou mesmo quaisquer outras organizações do género, daquelas que os States têm aos molhos, espalhadas por todo o lado, dedicadas a uma espionagem obsessiva e total, através de telemóveis, computadores, redes sociais e toda essa merda em que vivemos mergulhados, cheios de felicidade e dedicação – e não só os States, pois também importantes países ocidentais evoluídos e apetrechados, até à querida Rússia e aos encantadores chineses, todos estão eles estão possuídos do mesmo zelo e afã em escrutinar e dissecar o que vai pelos cérebros, opiniões e vontades de toda a canalha que constitui a encantadora e perigosa (segundo eles) humanidade em geral.

Segundo soube, até países da caca, daqueles do Oriente e para lá do sol posto, sem know how nem capacidade, mas cheios da mesma ébria boa vontade, tentam adquirir, comprar a tecnologia e os meios necessários para o efeito espião sobre as suas próprias populações, potenciais e perigosos núcleos de subversão, à semelhnaça do resto do evoluído e moderno mundo ocidental.

Já não se pode sequer imaginar uma qualquer sanzala perdida na floresta do Maiombe ou uma aldeia de esquimós enfiada a sul do Polo Norte, sem a natural evidência de uma rede de espionagem electrónica imiscuida entre os seus pares, a tudo escutar e de tudo saber, de palhota em palhota, de igloo para igloo.

Eu creio firmemente que as famílias – essa maravilhosa instituição tantas vezes incompreendida –  poderão um dia, quem sabe, vir a dar uma ajuda importante a estes cenários. Nada como uma participação mais colectiva e mais democrática, quando através dos seus próprios smartphones, computadores, tablets, redes sociais, etc. já completamente internas, os membros do agregado se espiem uns aos outros e por conta própria, sobre o que cada um faz, como cada um pensa e como então actuar, com precisão e eficácia, em caso de alguma perigosidade ou desvio comportamental.  Que poderá passar por castigar pais estúpidos que se tenham recusado a comprar uns ténis de marca ou um smart da última geração (a de ontem) à pobre e traumatizada criança, por exemplo. Ou que tenham cruelmente tentado obrigá-la a comer sopas, feijoada e peixe frito, em vez dos deliciosos e nutritivos hamburgers e pizzas a que ela tem acesso por direito constitucional.

Nada pois como possibilitar e impulsionar modelos espiões modernos, exequíveis e funcionais à vivência familiar, como seja uma vigilância constante de (todos os) uns sobre (todos) os outros.

E quanto desde mais jovens for, tanto melhor, nada se perde nem se transforma.

E depois é uma segurança.

carlos

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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