EDITORIAL: O EXTREMISMO DO CENTRO – por João Machado

O nosso primeiro-ministro, António Costa (é sempre bom recordar o nome, a par do cargo) aguarda inquieto, e com impaciência, o resultado das eleições francesas, segundo o Diário de Notícias (quem quiser confirmar, pode clicar no segundo link abaixo). Diz que sem a França não haverá Europa. Atendendo a que Marine Le Pen advoga a saída da França da União Europeia (UE), António Costa antecipa o(s) passo(s) seguinte(s) e vê já  a desagregação da Europa.

Para já, constata-se que António Costa, político experimentado, também ele, confunde a UE com a Europa. Talvez seja apenas um problema de comunicação. Mas em qualquer caso denota uma incapacidade de compreender o prejuízo que a famigerada organização causou aos povos europeus, portando-se irremediavelmente como a alavanca transmissora do sistema financeiro global e dos imperialismos, ao nível mundial (agora com um plutocrata na manobra do leme) e regional (procurando afirmar o IV Reich como a mesma vontade implacável que mostrou quando tentou os anteriores).

Haverá interesse em recordar que o referendo sobre a saída da UE que Marine Le Pen prometeu para o caso de ganhar as eleições em 7 de Maio próximo até poderia ter resultados bastante diferentes do que os que ela esperaria, caso chegasse a convocá-lo (o que também é duvidoso, ao contrário do que pensam muitos, incluindo amigos e inimigos do FN). A muito justificada rejeição de muitos, provavelmente da maioria, em relação às políticas de Bruxelas e Berlim, poderia dar lugar a muitas situações, não necessariamente idênticas às do Brexit. Por outro lado, a análise dos efeitos da provável vitória de Macron está a ficar escondida sob a exposição (com certeza que merecida) das enormes limitações da sua adversária. Para quando o debate sobre como foi possível, ao fim de um processo tão intenso e propagandeado, chegar-se a uma final entre um tecnocrata e uma fascista? Não há melhor em França, o tal país tão importante para a Europa e para o mundo? Dirão que o mesmo sucedeu nos Estados-Unidos, com algumas diferenças de pormenor. Duas das figuras mais tristes da vida política da nação a disputarem a vitória final. Limitações da democracia representativa? É verdade. Mas é preciso atacar às claras as limitações. E não ficar por frases como a de ser o menor dos males, ou cair em armadilhas como a de nos querer fazer confundir a contestação à UE com xenofobia e racismo.

Propomos que cliquem nos links abaixo:

http://www.esquerda.net/artigo/mas-alguem-tem-duvidas-de-que-nao-vou-votar-na-frente-nacional/48424

http://www.dn.pt/portugal/interior/francaeleicoes-costa-admite-inquietacao-e-adverte-que-nao-ha-europa-sem-franca-6254661.html

http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_sem_cerimonia/2017-04-18-Extrema-esquerda-com-Le-Pen-e-impasse-a-vista-em-Franca

https://www.publico.pt/2017/04/25/mundo/noticia/a-extremaesquerda-nao-enjeita-le-pen-1769876

http://www.atlantico.fr/decryptage/loi-macron-aux-forceps-49-3-majorite-en-ruine-opposition-inaudible-quels-scenarios-pour-fin-quinquennat-hollande-jean-petaux-2009877.html/page/0/1

http://www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2014/12/08/travail-du-dimanche-autocars-professions-reglementees-qu-y-a-t-il-dans-la-loi-macron_4536498_4355770.html

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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