As capas das revistas mostram “a barriguinha da Georgina”, em todo o seu esplendor. E os jornais, mesmo aqueles que se vendem como jornais de referência, fizeram chamada à primeira página. O país e o mundo estão alvoraçados, pois. A Georgina de quem aqui falo é a Georgina do Ronaldo. Não a namorada inglesa de Carlos – figura central de “Viagens na minha terra” de Almeida Garrett.
Para mim, a gravidez da Georgina do Ronaldo é como o “Melhoral”: não me faz bem, nem me faz mal. Por mim “o melhor do mundo” pode voltar a ser pai. E desta feita exibir a mãe da criança. Creio mesmo que o Cristianinho vai “adorar” e que a avó Dolores bem poderá ganhar mais umas massarocas com um anúncio …. às fraldas “Dodot”.
O que me chateia mesmo é que os jornais, mesmo os jornais que se vendem como jornais de referência, gastem tanto espaço com a gravidez da Georgina e com a guerra que opõe a Luciana, ex-Djaló, à mãe e à irmã.
Sobretudo, porque depois falta-lhes espaço para se honrar. E honrar aqueles que sempre se recusaram a ter um papel passivo na História. Na história da Cidadania, da Literatura e do Jornalismo.
Como aconteceu agora, de novo, com a perda seguida de três cidadãos com obra feita nessas três áreas: Baptista-Bastos, Miguel Urbano Rodrigues e Armando Silva Carvalho.
Com a excepção da morte do “BB”, cuja participação em programas televisivos o aproximou do chamado “grande público” e que por essa razão teve direito a tempo de antena, as de Miguel Urbano Rodrigues e Armando Silva Carvalho foram ignoradas em pequenas notas necrológicas ou em meros e apressados rodapés televisivos.
Tal constitui um crime contra o Jornalismo. E é mais um prego espetado no caixão que já alberga o corpo moribundo da imprensa portuguesa. Uma imprensa que se contenta em ser folheada por clientes de cafetaria de bairro e em contribuir para tornar o país num imenso “WC”.
Um “WC” onde, como nos diz Silva Carvalho em “Sentimento de um Acidental: «… ninguém sabe/como obram as musas,/ já dizia o outro, fazer versos realmente versos,/que sigam o espasmo do ânus provecto/dessas criaturas fúteis, decantadas, ainda é e será muito difícil.//Existe sempre um braço etéreo/que puxa o autoclismo/no momento exacto da defecação./Ouve-se um ruído/alguém pergunta ao outro o que se passa:/”É o som das águas que bate na garganta.”/Aliviados então os corações repousam/na sala de visitas da casa devassada/a que chamam d’alma.“
Estou contigo SN. E acrescentaria umas boas bordoadas à dita de referência. Mas (há sempre um), ao fim de tantos anos, concluí que seria chover no molhado, não, mais no alagado. É batalha perdida, confrontar o WC da Georgina e o novo penteado do Reinaldo com ilustres nomes da escrita, ainda por cima já fenecidos. Resta-nos um consolo, WC e novo penteado depressa serão esquecidos! As obras dos ilustres fenecidos, não tenho dúvida, serão procuradas (e lidas) nas prateleiras das bibliotecas, durante uns valentes anos. E usando uma que pouco se utiliza: o resto é letra!
Estou contigo SN. E acrescentaria umas boas bordoadas à dita de referência. Mas (há sempre um), ao fim de tantos anos, concluí que seria chover no molhado, não, mais no alagado. É batalha perdida, confrontar o WC da Georgina e o novo penteado do Reinaldo com ilustres nomes da escrita, ainda por cima já fenecidos. Resta-nos um consolo, WC e novo penteado depressa serão esquecidos! As obras dos ilustres fenecidos, não tenho dúvida, serão procuradas (e lidas) nas prateleiras das bibliotecas, durante uns valentes anos. E usando uma que pouco se utiliza: o resto é letra!