São entre 10 e 12 milhões de ciganos a viver na Europa.
São à volta de 50 mil ciganos a viver em Portugal.
Estes dados constam no preâmbulo da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC).
A maior parte dos ciganos são pobres e estão desempregados. O seu modo de subsistência é essencialmente a venda nas feiras.
Os jovens ciganos são os mais visíveis no quadro do insucesso e abandono escolar.
Mas apesar de tudo podemos já contar com associações de ciganos e de ciganas, como Anabela da Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas, que pretendem a sua inclusão na sociedade.
Se olharmos para os ciganos sem preconceitos começamos logo por considerar que os ciganos não são todos iguais e, por isso, não podemos generalizar.
A par de muito analfabetismo há também ciganos e ciganas com cursos superiores.
Anabela, na defesa e orgulho de ser cigana, diz que não quer que os ciganos sejam especiais, quer que sejam iguais a todos.
“Não se pode falar em nome de toda a comunidade cigana portuguesa, é preciso que adquiram mais cultura democrática para combater a exclusão em que se encontram.”
Assim refere Carlos Jorge, cigano sociólogo, que se dispõe a participar em projectos de desenvolvimento da etnia cigana.
Em 2015 havia 22 mediadores ciganos a trabalhar em escolas, centros de saúde, câmaras, comunidades ciganas e não ciganas.
Quem ouviu falar do “cigano” do ano, em 2015, mediador municipal em Beja?
Este trabalhador não recebia nenhum salário porque a legislação não contempla esta função de mediação cultural. O maior perigo a que está exposto é o de ser considerado traidor perante a sua comunidade.
Se queremos ser uma sociedade democrática e livre temos que olhar o outro não como a soma de todos, mas cada um consoante as suas ambições e sonhos de futura inclusão.
O problema não são só os ciganos, são também as diferentes comunidades que os rodeiam.
As comunidades devem olhar para a sociedade como se ela fosse um puzzle, todas as peças têm o seu lugar, se faltar alguma o jogo fica incompleto.