TEATRO DA CERCA DE SÃO BERNARDO: “ASSEMBLEIA”: RUI CATALÃO DIRIGE EM COIMBRA LABORATÓRIO DE “DRAMATURGIA EM TEMPO REAL”

“ASSEMBLEIA”: RUI CATALÃO DIRIGE EM COIMBRA LABORATÓRIO DE “DRAMATURGIA EM TEMPO REAL”

Rui Catalão retoma esta semana no TCSB o Laboratório aberto à comunidade através do qual constrói o espectáculo “Assembleia”, que apresentará no final do mês, no âmbito do 39º Citemor – Festival de Montemor-o-Velho. As sessões decorrem de segunda a sexta-feira e qualquer pessoa pode participar, de acordo com as suas disponibilidades.

LABORATÓRIO

                                                  Laboratório de Rui Catalão no TCSB (foto: Eduardo Pinto)

Clicar em:

http://www.citemor.com/citemor-2017/rui-catalao-2017/laboratorio

Como ponto de partida para este trabalho aberto a todos, Rui Catalão propõe “o problema da coabitação”, entendida não apenas no âmbito doméstico, mas também à escala do bairro, da comunidade, do país e do continente em que vivemos.
Os participantes são convidados a colaborar num “modelo de dramaturgia em tempo real”, construído a partir de histórias particulares. Na situação inicial proposta – que será debatida em “assembleia” –, os dois elementos de um casal discutem se devem permanecer na casa em que vivem ou mudar-se, havendo quatro níveis potenciais de mudança: de casa, de bairro, da cidade ou de país. O resultado da discussão deve gerar três opções: ou ficam, ou mudam-se, ou separam-se e cada um segue a sua própria decisão. “A partir do momento em que conseguem chegar a um acordo sobre os problemas que devem solucionar entre si – esclarece Rui Catalão –, trata-se então de identificar problemas que só podem ser resolvidos no contexto da comunidade, usando ‘ferramentas’ políticas para solucionarem os problemas apontados”.
Ao longo do laboratório, pretende-se criar um “assembleia de auto-governação”, explorando “a necessidade de ritualizar e dinamizar o espaço de reunião, através do uso de regras básicas, princípios coreográficos elementares e noções discursivas que promovam a escuta, o debate de ideias, e um sentido pragmático de como pô-las a operar – ou seja, de como realizá-las na prática”. “O mais eficaz laboratório da humanidade não é a imaginação – é mesmo a realidade!” – conclui, provocatoriamente, o artista.
Nos dias de apresentação (30 de Novembro e 1 de Dezembro), os espectadores juntam-se aos participantes do Laboratório para dar corpo a esta “Assembleia”, que, por isso mesmo, é sempre diferente em cada dia e local em que é realizada.
A participação no Laboratório é gratuita e flexível: ao longo da semana haverá cinco sessões de trabalho – entre 20 e 24 de Novembro, de segunda a sexta-feira, entre as 18h00 e as 21h00 – e os interessados podem participar naquelas que quiserem ou para as quais tenham disponibilidade. Não é requerida qualquer experiência em artes performativas. Apenas por razões logísticas, a organização agradece a inscrição prévia, através do e-mail coimbra.assembleia@gmail.com ou do telefone 917 909 607.


RUI CATALÃO

A obra de Rui Catalão (n. 1971) tem vindo a afirmar-se em Portugal desde 2010, e depois de quatro anos de intensa produção no CNDB de Bucareste. O seu trabalho de palco é acompanhado pelos principais programadores nacionais: Teatro Maria Matos, Teatro Nacional D. Maria II, Culturgest, Fundação Serralves – as mais importantes instituições portuguesas têm vindo a apoiar e a apresentar o seu trabalho de forma consistente nos últimos seis anos, reconhecendo a exigência, a relevância e o sentido inovador das suas propostas. Rui Catalão é também reconhecido pelo seu trabalho artístico com a comunidade e pelo trabalho de criação de novos públicos.
Neste período, apresentou uma série de solos autobiográficos – “Dentro das Palavras”, “Av. dos Bons Amigos”, “Canções i Comentários”, “A Grande Dívida – ciclo de conferências” e “Trabalho Precário”, nos quais faz o retrato da vida privada da sua geração. Usando o mesmo modelo, dirigiu ainda o jovem amador de origem moçambicana Luís Mucauro no solo “Medo a caminho”. Em 2016 apresentou “Judite” (no Teatro Nacional D. Maria II) e, já em 2017, a primeira versão de “Assembleia” (no Teatro Maria Matos, no passado mês de Fevereiro). Paralelamente, tem desenvolvido projectos pedagógicos, como “Domados ou não” e, mais recentemente, a oficina de teatro “Agora, faz tu!”, com incidência em métodos de trabalho, construção dramatúrgica, autonomia criativa e tomadas de decisão em tempo real. Escreveu também “Ester” para o programa de teatro juvenil Panos, da Culturgest. O seu trabalho ronda a fronteira entre o espaço privado e o espaço público, os temas da memória, da fragilidade, da manipulação e da transparência.
Como intérprete, trabalhou em peças de João Fiadeiro (estreou-se com “O que eu sou não fui sozinho”, em 2000), Miguel Pereira, Ana Borralho-João Galante, Manuel Pelmus, Mihaela Dancs, Madalina Dan, Edi Gabia e, mais recentemente, as revelações Sofia Dinger, Urândia Aragão e Elmano Sancho. Também trabalhou com Tonan Quito na encenação de “Fé, Caridade, Esperança”, em que reescreveu parcialmente o texto de Odon von Horvath a partir de testemunhos dos amadores que participaram nos elencos do espectáculo. Para cinema, escreveu os guiões de “O capacete dourado” e “Morrer como um homem”, participou como actor em “A Cara que mereces”, foi jornalista, crítico musical e de literatura no jornal Público e no Jornal de Sintra. Organizou e editou “Anne Teresa De Keersmaeker em Lisboa” e escreveu “Ingredientes do Mundo Perfeito”, sobre a obra teatral de Tiago Rodrigues.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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