CRIANÇA É CRIANÇA E PRINCESA É por Luísa Lobão Moniz

“Opte por amar mais” é um slogan que não me sai da cabeça. Não sei bem porquê.

A campanha para as mulheres deixarem de fumar e de se culpabilizarem perante “as suas princesas” tem sido timidamente comentada em alguns jornais.

Que mal tem chamar princesa às filhas, perguntam alguns.

De facto não é um termo depreciativo. Toda a vida as meninas gostariam de ser princesas.

Tão bonita! Que bonito vestido cheio de coisinhas a brilhar. Quando for grande vou casar com príncipe rico, muito bonito…

O que é hoje em dia é querer ser uma princesa como as dos contos de fadas?

Não se sabe bem, mas sabe-se que por detrás da imagem da princesa estão atitudes como a vaidade, o poder, o  ver realizado todos os seus caprichos, o ter poderes que só elas têm… o ter poder sobre outros…

Não tem mal chamar princesas, mas porque está na moda as meninas serem chamadas de princesas? Tudo é devido às princesas, estas meninas não procuram a realidade da vida pois todos as querem proteger, uma princesa não chora, mas corre alegremente pelos campos, não tem obrigações. As outras meninas que brincam com elas estão sempre disponíveis para lhes realizar os pedidos.

As meninas tratadas como “princesas” correm o risco de aceitarem melhor do que as outras o não reconhecimento das diferenças de género, as suas rotinas prendem-se mais com  “menina brinca com coisas de menina e menino com coisas de menino.

A campanha anti tabaco prende-se mais com o público feminino, porquê?

A campanha anti tabaco serve-se de uma mãe com cancro que se preocupa com futuros sofrimentos da “sua princesa”.

Esta princesa sofre por antecipação, aceitando o pedido de desculpa da mãe por não ter deixado de fumar!

É claro que esta “nova maneira” de os pais ou as mães se relacionarem com os filhos em termos de culpabilidade merece uma maior atenção na formação das crianças.

Criança é criança e princesa é.

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