ANA DE CASTRO OSÓRIO (1872 – 1935), a “MÃE” DA LITERATURA INFANTIL por Clara Castilho

 

Foi neste início do século XX que Ana de Castro Osório se notabilizou como defensora dos direitos das mulheres, com a mesma coragem com que assumia a publicação de obras marcantes da literatura para crianças.

Escritora, editora, jornalista, ensaísta, pedagoga, feminista, maçónica e republicana, Ana de Castro Osório, nascida em 1872 (Mangualde), a primeira mulher que terá conseguido viver da actividade literária em Portugal.

Até aos 23 anos viveu em Setúbal, tendo publicado as suas primeiras crónicas no jornal semanal A Mala da Europa. Começou a escrever aos 23 anos no periódico Mala da Europa e é considerada por muitos como a fundadora da literatura infantil em Portugal.

Como escritora de livros infantis, para além dos seus próprios trabalhos (Bem prega frei Tomás, peça em um acto, 1905, Os nossos amigos, 1911, Viagens aventurosas de Felício e Felizarda, 1923, O príncipe das maçãs de ouro, 1935, etc.), coligiu contos de cariz popular e traduziu histórias infantis de autores estrangeiros como Hans Christian Andersen e os irmãos Grimm. Estes textos foram publicados entre 1897-1908 e 1921-1935 em folhetins com o título «Para as crianças», sendo paulatinamente coligidos em vários volumes da famosa colecção com o mesmo nome.

Casada com Francisco Paulino Gomes de Oliveira, poeta e tribuno republicano, este aponta-lhe o caminho das causas sociais e políticas. Vai encabeçar a protecção da criança e à condição da mulher. Em 1905, publicou “Às Mulheres Portuguesas”, aquele que é considerado o primeiro manifesto feminista editado em Portugal.

Fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, o Grupo de Estudos Feministas (ligado à Maçonaria, na qual era iniciada), a Cruzada das Mulheres Portuguesas e a revista A Sociedade Futura. A sua actividade como subinspectora para o Trabalho Feminino possibilitou-lhe conhecer as dificuldades práticas das mulheres, tendo desenvolvido intensa campanha pelos direitos destas ao distribuir panfletos, dar conferências, etc. Desenvolveu actividade política com Afonso Costa em prol da república.

Em 1911, publicou “A Mulher no Casamento e no Divórcio”, tendo colaborado com Afonso Costa, ministro da Justiça, na elaboração da Lei do Divórcio. Três anos mais tarde, após a morte do marido por tuberculose, regressou a Portugal e fixou residência em Lisboa. Morreu em Setúbal em 1935.

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