LE CORBUSIER, “CARTA DE ATENAS”- UM VERDADEIRO MANIFESTO por Clara Castilho

Este  livro de Le Corbusier (6.10.1887  –  27.8.1965) começa logo com esta frase “É preciso ver sempre aquilo que se vê”. Estamos no ano de 1943, o livro decorre de um congresso de arquitectura e sintetiza o conteúdo do Urbanismo Racionalista, também chamado de Urbanismo Funcionalista.

Neste livro propõe-se uma cidade que funcionasse adequadamente para o conjunto de sua população, distribuindo entre todos as possibilidades de bem-estar decorrentes dos avanços técnicos. Este objectivo supunha, evidentemente, alternativas políticas muito precisas, ainda que utópicas para a etapa histórica então em curso.

O Urbanismo Funcionalista supunha a obrigatoriedade do planeamento regional e intra-urbano, a submissão da propriedade privada do solo urbano aos interesses colectivos, a industrialização dos componentes e a padronização das construções, a limitação do tamanho e da densidade dás cidades, a edificação concentrada porém adequadamente relacionada com amplas áreas de vegetação. Supunha ainda o uso intensivo da técnica moderna na organização das cidades.

A “Carta de Atenas” analisa as necessidades humanas universais no quadro de quatro grandes funções: habitar, trabalhar, transportar-se, cultivar o corpo e o espírito

No capítulo “É PRECISO EXIGIR”, salientamos alguns pontos:

“Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações… e com superfícies verdes adequadas.”

“A determinação dos sectores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene” e “deve compreender superfície verde necessária à organização racional dos jogos e depostos das crianças, adolescentes e adultos”.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura qualificou 17 obras de Le Corbusier espalhadas em 7 países como Património Mundial da Humanidade. A UNESCO elogiou a série de projectos por “[reflectirem] as soluções que o movimento moderno buscou aplicar durante o século XX ao desafio de inventar novas técnicas arquitectónicas que respondessem às necessidades da sociedade.”

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