CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO NAMORA [CONDEIXA, 1919 – LISBOA, 1989] por Clara Castilho

O  início das Comemorações do Centenário do Nascimento de Fernando Namora iniciou-se em Condeixa-a-Nova, na casa museu Fernando Namora. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa presidiu as cerimónias tendo anunciado que o irá agraciar, a título póstumo, com a Ordem da Liberdade. De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Escritores todas as homenagens são merecidas.

José Manuel Mendes, representante da Associação Portuguesa de Escritores, em conversa com Fernando Alves, jornalista da TSF, afirmou: A sua obra “foi, de algum modo, esquecida”. Tem de ser “reposta, para encontrar novos leitores”. Frisou ainda que “Fernando Namora foi o escritor português mais traduzido do mundo, antes de José Saramago, depois de Ferreira de Castro. Teve um êxito editorial muito grande. Foi conhecido e reconhecido por toda a parte”.

 Na casa museu Fernando Namora foram guardadas provas de que o poeta mora num lugar privilegiado nas letras portuguesas. Faz parte da geração de 40, na qual se inserem Carlos Oliveira, Joaquim Namorado e João José Cochofel, e movimentou a literatura a partir do “interior de uma escrita, do interior do realismo”.

Aí podem ser consultados documentos importantes de actos públicos, objectos pessoais, como a máquina de escrever, a caneta, dactiloscritos, textos revistos, medalhas.

Médico de profissão (Coimbra – 1942), sob esse olhar viu o mundo. O seu volume de estreia foi Relevos (1938), livro de poesia onde se notam as influências do grupo da Presença.

No mesmo ano, publicou o romance As Sete Partidas do Mundo, o qual foi galardoado com o Prémio Almeida Garrett, onde se começa a esboçar o seu encontro com o neo-realismo, ainda mais patente três anos depois com a poesia de Terra no Novo Cancioneiro.

Entre os títulos que publicou encontram-se os volumes de prosa Fogo na Noite Escura (1943),Casa da Malta (1945), As Minas de S. Francisco (1946), Retalhos da Vida de um Médico (1949 e 1963), A Noite e a Madrugada (1950), O Trigo e o Joio (1954), O Homem Disfarçado (1957),Cidade Solitária (1959), Domingo à Tarde (1961, Prémio José Lins do Rego, Os Clandestinos (1972) e Rio Triste (1982).

Além dos já mencionados, publicou em poesia Mar de Sargaços (1940) e Marketing ( 1969). A sua produção poética conheceu uma antologia datada de 1959, intitulada As Frias Madrugadas.

Escreveu ainda volumes de memórias, anotações de viagem e crítica, como Diálogo em Setembro (1966),  Um Sino na Montanha (1970), Os Adoradores do Sol (1972), Estamos no Vento (1974), A Nave de Pedra (1975), Cavalgada Cinzenta (1977) e Sentados na Relva (1986).

Vários dos seus livros foram adaptados ao cinema e sobre ele vários filmes se fizeram. Destacamos “Domingo à Tarde”, realizado por António de Macedo, a sua primeira longa metragem de ficção e a quarta do movimento do Novo Cinema. A estreia foi em Lisboa, no cinema Império, a 13 de Abril de 1966.

A Biblioteca Nacional irá também homenagear este escritor, em data ainda a anunciar.

 

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