SINDICATO DOS JORNALISTAS INDIGNADO COM ANÚNCIO DE DESPEDIMENTOS NO GLOBAL MEDIA GROUP – CAMÕES NA ADMINISTRAÇÃO

 

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) reage com indignação às declarações do acionista maioritário do Global Media Group (GMG), Kevin Ho, anunciando, na China, despedimentos no grupo que detém vários órgãos de informação em Portugal.

Em declarações foram feitas a uma jornalista da Teledifusão de Macau, em Pequim, numa altura em que o SJ espera uma resposta da Administração do GMG a cinco pedidos de reunião sobre o assunto versado.

As informações relativas a um alegado agravamento da situação financeira do GMG surgiram no início do ano. Desde essa altura, o SJ solicitou, por cinco vezes, uma reunião à Administração, para obter informações e disponibilizar-se para contribuir para a construção de uma eventual solução para a crise, que pode vir a afetar dezenas de jornalistas nos órgãos de informação JN, DN, TSF, O Jogo, Dinheiro Vivo e outras publicações.

A Administração não acedeu a esses pedidos, tendo referido, em resposta, que a situação financeira do grupo não se alterou desde 26 de novembro de 2018, data da primeira e última reunião que manteve com o SJ, na sequência da decisão de adiar o pagamento do subsídio de Natal.

Desde então, o SJ já comunicou as suas preocupações em relação à situação financeira do GMG ao Presidente da República, ao Parlamento e ao Governo. 

O SJ não consegue perceber por que razão a Administração do GMG não respondeu, até agora, aos pedidos de reunião solicitados.

O SJ não consegue perceber como é possível falar em despedir pessoas em redações que se debatem com sérias carências de gente, e que, todos os dias, espremem os trabalhadores até ao limite. Quem vai fazer jornalismo no GMG se despedirem mais jornalistas?

O SJ não consegue compreender como é que a situação do grupo se degrada após a entrada de um novo investidor, chinês, com vários milhões de euros.

O SJ não consegue perceber como poderão estar a ponderar despedimentos depois terem vendido os edifícios-sede históricos de dois jornais históricos, JN e DN, ambos alienados por vários milhões de euros.

O SJ não consegue compreender que o GMG esteja a entrar num processo de despedimentos, que, inevitavelmente, irá afetar a qualidade do trabalho feito pelos profissionais dos órgãos de comunicação social detidos pelo grupo, e contribuir, assim, para o enfraquecimento do jornalismo em Portugal e, como tal, da nossa democracia.

O SJ espera que o sexto pedido de reunião, enviado hoje mesmo, obtenha resposta rápida e positiva por parte da Administração do GMG.

CAMÕES NA ADMINISTRAÇÃO

Afonso Camões, desde Setembro director-geral de conteúdos do Global Media Group, foi agora cooptado vogal do Conselho de Administração e também da Comissão Executiva (CE) do grupo.  A Comissão Executiva passa assim, e por agora, a ser composta pelo ex-director do Jornal de Notícias e por Guilherme Pinheiro, desde Setembro CFO do grupo. Victor Ribeiro, CEO desde 2014, apresentou a demissão nas últimas semanas, decisão que foi tornada pública na última terça-feira, e deixará o grupo no final deste mês.  No comunicado interno enviado pelo Conselho de Administração (CA), ao qual o M&P teve acesso, apenas é dito que o CA, em reunião tida hoje, deliberou proceder à cooptação de Afonso Camões como vogal dos dois órgãos de gestão, mantendo “as funções que vinha desempenhando até à data”.
Por decidir estará o nome do novo CEO  e a altura em que entrará em funções, o que, de acordo com as fontes ouvidas pelo M&P, tanto poderá ser em breve como após iniciado/concluído o processo de reestruturação do grupo, já aprovado pelo CA e que terá sido viabilizado pela banca.
Nos últimos meses, recorde-se, Paulo Rego, que entrou para o CA e CE em Novembro de 2017, como representante do KNJ, novo accionista,  deixou de integrar a CE.  Em Setembro, Maria Teresa da Graça, CFO desde 2014, foi substituída por Guilherme Pinheiro e a saída de Victor Ribeiro foi conhecida este mês.  Já em Abril do ano passado foi José Carlos Lourenço, até então e desde 2014 COO do grupo, a demitir-se.
Recorde-se que a entrada do grupo macaense KNJ no capital do Global Media Group foi concretizada em Novembro de 2017, altura em que foi reconduzida a Comissão Executiva.  Na altura foi também oficializado que as participações de Luís Montez e de António Mosquito passaram para José Pedro Soeiro, apresentado como “empresário e gestor com participação em empresas portuguesas, angolanas e do Reino Unido”.
Entretanto, e já em Novembro de 2018, Victor Ribeiro admitia, em reunião com o Sindicato dos Jornalistas, que a passagem do DN a semanal não estava a correr como o previsto e que o investimento nos novos projectos, nomeadamente na área de gaming e gambling com uma plataforma de jogos e apostas online ou o lançamento do projecto de vídeo V Digital, ainda não teriam trazido retorno.
Até ao momento não foi possível obter nenhum comentário do Global Media Group.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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