UMA CASA A SUL DAS NUVENS de António M. Oliveira, apresentado dia 28 de Fevereiro, às 18H30, no ISLA.

 

O livro  “Uma casa a sul das nuvens”, do nosso colaborador António Oliveira (Carta de Braga), vai ser apresentado no dia 28 de fevereiro às 18H30, no ISLA.

É uma edição da Editorial Novembro e será abordado por Júlio Montenegro.  O Instituto Politécnico de Gestão e Tecnologia situa-se  na Rua Cabo Borges, 55, em Vila Nova de Gaia.

No prólogo o autor escreve:

Esta pequena estória, nem me atrevo a chamar-lhe outra coisa, nasceu quando me propus contar o encontro de dois homens distintos e desiguais pela idade, por nascimento, personalidade e culturas.

Um encontro decidido pela porta verde de uma casa quase velha, atrás da qual o mais velho cuidava de relógios antigos e de colecção, acertando-lhes as caixas e os delicados teares e mecanismos. A porta e os relógios chamaram a atenção do mais novo, levando-me a acreditar na sabedoria de Jung, quando chamou sincronicidade à experiência de dois ou mais acontecimentos coincidirem significativamente para a pessoa ou pessoas que os viveram, pelos efeitos dinâmicos e consequentes nos procederes e nas relações.

Não devo, nesta pequena introdução, acenar ao eventual leitor com qualquer pormenor significativo, por não lhe pretender condicionar a leitura, mas não posso deixar de lembrar a sincronicidade entre duas guerras, apesar de diversas no tempo e nas circunstâncias, mas a levar as gentes da península ibérica a penar ideologias, vidas e futuros.

É uma coincidência significativa, por estar na origem do convívio entre os dois homens porque, como afirmou também Jung, o encontro entre duas pessoas se assemelhar ao contacto de duas substâncias químicas pois, a haver uma reacção, acabarão as duas modificadas. Não garanto serem estas as palavras exactas, pois o mundo dos deuses e dos espíritos é só o inconsciente colectivo que levo dentro e me ajudou a entender as transformações observadas.

E de deuses também se fala neste pequeno livro, só uma história de solidões.”

 

Retiramos um pequeno texto:

[…]

– Como viu, basta passar um pouco a observar os outros para saber o estado do tempo!

– Tempo, como?

– O tempo que nos é chegado pelos homens, porque o da natureza é mais ou menos calculável e até há uma instituição para o fazer. O dos homens vê-se pela maneira como carregam os dias e, se gostar de uma observação mais completa, vá até à estação dos comboios, à central da camionagem ou à parada dos autocarros e quase de certeza que acerta na maneira como vai decorrer o dia para a maioria das pessoas.

– Somos assim tão previsíveis ?

– Somos mesmo, desde que fomos normalizados e nos tornámos dependentes da  velocidade das novidades, sejam elas as deste pedaço ou as do mundo, as do último update para ao telemóvel, do mexerico do futeboleiro ou da actriz da tv. E mostram como se tudo tivesse a mesma importância e, por isso mesmo, também devidamente dramatizado”.  […]

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