A CRISE DO COVID 19 E A INCAPACIDADE DAS SOCIEDADES NEOLIBERAIS EM LHE DAREM RESPOSTA – XI – AS LIÇÕES ECONÓMICAS DA “GRIPE ESPANHOLA”, UM SÉCULO ANTES DO CORONAVÍRUS, por ROMARIC GODIN

 

Les leçons économiques de la «grippe espagnole», un siècle avant le coronavirus, por Romaric Godin

Mediapart, 6 de Março de 2020 Mediapart

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

 

O pânico tem dominado os círculos empresariais na perspectiva de uma pandemia de coronavírus. Em 1918 e 1919, a “gripe espanhola” causou quase 18 milhões de mortes, mas o seu impacto económico não é bem conhecido. O que podemos aprender com isso para os dias de hoje?

 

Em 11 de outubro de 1918, em Filadélfia, as morgues  municipais transbordaram. Na véspera, 759 pessoas tinham morrido devido à gripe espanhola, que tinha atingido a cidade e os Estados Unidos de forma mais ampla durante mais de um mês. Corpos amontoados nos corredores e valas comuns improvisadas foram usados para enterrar as infelizes vítimas.

Estas imagens medievais, reminiscentes da “grande praga” de 1348-1349, destacam a fraqueza da organização humana face aos  vírus mais graves.

Numa altura em que há receios de uma nova pandemia, a do Covid-19, e em que se está a prestar muita atenção à questão dos efeitos económicos, pode ser útil olhar para este precedente.

À primeira vista, no entanto, o caso parece problemático. Ao ler os grandes títulos  dos jornais de agora,  o principal problema causado por uma pandemia de Covid-19 seria o seu impacto no crescimento. O Ministro da Economia e Finanças Bruno Le Maire reconheceu que o crescimento seria contraído para lá de  0,1 ponto do PIB, ou seja  menos do  que ele havia mencionado anteriormente (e que não correspondia a muito).

Os modelos económicos funcionam para produzir estimativas. Mas eles  transformam-se num vazio  simplesmente  porque é impossível incorporar uma doença com efeitos diretos e psicológicos incertos e que, além disso, é capaz de evoluir. Especialmente porque a única referência moderna a uma pandemia é a gripe espanhola de 1918-1919 e a literatura científica é em grande parte omissa sobre o assunto.

                Um tapume impede a entrada no porto militar de Filadélfia em Outubro de 1918 © DR

Há muito poucos estudos económicos sobre as consequências desta pandemia. As que existem são geralmente bastante locais. Mas, globalmente, reina a indiferença. Basta abrir um livro sobre a história económica da época para ver que a gripe espanhola é tratada, na melhor das hipóteses, como um epifenómeno que é citado por uma questão de não parecer mal. Na pior das hipóteses, é ignorado.

Adam Tooze’s The Flood, 1916-1931: A New World Order, traduzida em 2015 em Les Belles-Lettres, é uma referência extremamente precisa sobre a era pós Primeira Guerra Mundial, sobre a recomposição económica do momento e sobre a construção da nova ordem mundial que ela trouxe. O autor insiste na desorganização económica que se seguiu à guerra e sobre o facto dos  seus efeitos serem duradouros. Mas ele não faz nenhuma menção à gripe espanhola.

No meio do pânico atual, esta indiferença espanta-nos.  A gripe espanhola, que surgiu na China na primavera de 1918 e se espalhou pelo mundo em três vagas, foi, no entanto, extremamente mortal, especialmente no outono de 1918 e, em menor grau, na primavera de 1919. Chama-se “espanhola” porque, na dureza e no silêncio da guerra, a Espanha era então um paraíso de liberdade e transparência, pelo que os primeiros casos oficiais foram detetados no Reino Ibérico e o nome da doença permaneceu-lhe  ligado.

As estimativas diferem quanto ao número total de mortes. A mais baixa e mais recente, publicada em 2018, considera que a gripe espanhola teria matado 17,8 milhões de pessoas de uma população mundial então estimada em 1,8 mil milhões. Isto já seria perto de 1% da população mundial. Mas estudos realizados em 2002 forneceram estimativas que vão de 50 a 100 milhões de mortes.

Em qualquer caso, os cálculos da esperança de vida mostram uma verdadeira anomalia  em 1919, especialmente em países neutros ou devastados pela guerra. A pandemia seria, portanto, na melhor das hipóteses, quase tão mortal em dois anos como a Guerra Mundial e os seus 20 milhões de mortos em quatro anos. E mesmo assim, isto seria apenas um detalhe anedótico da história económica?

O paradoxo é apenas aparente. Na realidade, a economia mundial quando a pandemia atingiu o seu pico de violência, no outono de 1918, já estava em completa desorganização.

O armistício foi assinado em 11 de novembro, mas no início de outubro, o desastre dos impérios centrais era uma certeza. A economia de guerra alemã já não tinha saídas. Os seus aliados otomanos e depois austro-húngaros separaram-se. As tropas da Tripla Aliança  invadem os Balcãs e o Médio Oriente, criando novas jurisdições que cortam imediatamente os laços comerciais e económicos com o antigo centro austríaco, húngaro ou turco.

Ao mesmo tempo, a Rússia, um dos principais “países emergentes” do período pré-guerra, que também tinha sido privado dos seus territórios mais ricos desde o Tratado de Brest-Litovsk, em Março de 1918, afundava-se na guerra civil entre “Vermelhos” e “Brancos”.

Por fim, tudo isto acontecia numa economia que foi largamente enfraquecida por uma longa guerra, que reorganizou a produção e o consumo, e que deve agora ser colocada na perspectiva da paz. Este movimento tem sido acompanhado por uma exacerbação bastante geral da luta de classes, que  dá origem a lutas particularmente vivas.

Em resumo, a situação já é muito complexa quando a pandemia chega. E isto é o que coloca um problema para a avaliação dos seus efeitos económicos diretos. Segundo os números disponíveis do Projeto Maddison, que retoma a ambição do economista Angus Maddison de recalcular os PIBs passados, o PIB per capita na Europa Ocidental caiu em 1918 em 3,38% e em 1919 em 5,86%, antes de se recuperar em 1920 em 4,01%. Em dois anos, o PIB per capita entrou em colapso em 7,78%.

Quanto desta contração pode ser atribuída à gripe espanhola, e não ao desajustamento da economia de guerra à paz, aos movimentos sociais ou à desorganização comercial? Nenhum estudo foi capaz de estimar isso com precisão.

Mortalidades comparadas de diversos episódios epidémicos © Max Roser/ Our world in data

O trabalho é dificultado pela falta de dados e pelo facto de que tudo isso se baseia   em informação dispersa e por vezes questionável. O trabalho de “isolar” o efeito pandémico é muito complexo. No entanto, o “choque da procura ” e o “choque da oferta” que tememos hoje não estiveram ausentes durante a gripe espanhola.

Ao contrário do que se sabe sobre a Covid-19, a gripe espanhola eliminou a maioria dos indivíduos no auge da vida com um sistema imunológico forte. Por conseguinte, afetou directamente a força de trabalho disponível e os indivíduos como consumidores, bloqueando tanto a oferta de serviços como a produção e consumo desses bens.

Em países no centro do conflito, como a  França, Bélgica, Itália ou Alemanha, a destruição e as mortes da guerra já tinham causado um duplo choque na economia. Podem, portanto, ter passado despercebidos ou ter sido considerados “normais”, mas isso não aconteceu em países que não foram direta e massivamente afetados pelo conflito, como os Estados Unidos.

Em  Filadélfia, 150.000 pessoas de uma população de 2 milhões foram afetadas, ou 7,5% da população, e 0,75% dessa população morreu. O efeito sobre a economia foi brutal. Alguns episódios fazem lembrar o pânico do nosso tempo.

Num  artigo de novembro de 2007 intitulado “Os efeitos económicos da pandemia de gripe de 1918“, Thomas Garrett, vice-presidente da Reserva Federal de St. Louis, cita alguns jornais do Midwest  dos EUA de outubro de 1918. Comerciantes em Little Rock, Arkansas, relataram em 19 de outubro uma queda de 70% nas vendas. Diz-se que o prejuízo diário era de $10.000 na altura, ou $200.000 em 2006 .

Em Memphis, Tennessee, metade dos operadores telefónicos estão ausentes do trabalho em 5 de outubro, e mais de um quarto dos funcionários dos transportes públicos. Em 18 de outubro, há relatos de uma queda de 50% na produção das minas de carvão do Tennessee e a possibilidade do seu fecho. Mas o trabalho de Thomas Garrett não vai muito mais longe do que isto.

De resto, os números de crescimento do projeto Maddison não identificam uma recessão ligada à gripe espanhola num país como os Estados Unidos. O PIB per capita do que o Projeto Maddison chama de “excrecências ocidentais “, que são principalmente os domínios  britânicos (Austrália, Canadá e Nova Zelândia) e os Estados Unidos (e portanto principalmente estes últimos), mostra um crescimento de 6,1% em 1918. Isto faz sentido, uma vez que as indústrias estavam então a operar em plena capacidade para garantir a vitória dos Aliados.

Mas em 1919, o PIB per capita diminuiu apenas 0,1%. Foi em 1920 e 1921 que a crise chegou, com uma queda de 2,15% e 4,3% do PIB per capita da área. A crise de 1920-1921 nos Estados Unidos é conhecida e muitas vezes interpretada como o resultado da reorganização da economia e finanças dos EUA após a guerra.

No entanto, ao olhar para os números de 1918 e 1919, é difícil ver um efeito direto, mensurável e indiscutível da pandemia, apesar de os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália terem sido muito afetados pela doença. Em qualquer caso, esta informação sugere que o efeito da gripe espanhola não poderia ter implicado diretamente uma recessão.

Que comparações podem ser feitas?

Os únicos efeitos medidos são por vezes contraditórios, porque estão limitados a uma única região. Num estudo de 2013, três investigadores, Martin Karlsson, Therese Nilsson e Stefan Pichler, tentaram identificar as consequências da gripe espanhola no “comportamento económico” da Suécia.

A Suécia é interessante porque foi neutra durante a Primeira Guerra Mundial. A sua força de trabalho não foi afetada pelo conflito e algumas regiões registaram taxas de mortalidade relacionadas com a pandemia muito mais elevadas do que outras, permitindo que alguns dos efeitos fossem “isolados”.

A conclusão é certa sobre dois elementos: o rendimento do capital foi fortemente afetado e, com ele, os rendimentos dos mais ricos, que, segundo os seus cálculos, caíram 5% durante a pandemia e 6% depois.

O pânico da bolsa nos últimos dias parece confirmar que o coronavírus pode ter o mesmo efeito. Alguns nos Estados Unidos, como Dean Baker, do CEPR, não hesitam em regozijar-se  com isto. Contudo, não devemos esquecer de lamentar as desigualdades no sistema de saúde dos EUA.

Pois, ao mesmo tempo, na Suécia, mais uma vez segundo o estudo citado, a pobreza explodiu a partir de 1920, em grande parte como resultado da epidemia. Os pesquisadores estimam que cada morte causada pela gripe espanhola levou a quatro novas entradas nos “hospícios de pobres”, que existiam na Suécia na época para cuidar daqueles que não se podiam sustentar.

Isto pode ser explicado pelo facto das famílias das vítimas terem ficado sem recursos, mas também por um empobrecimento ligado a um efeito de rendimento. Em suma, os dois extremos da distribuição da riqueza teriam sido afetados.

A evolução da taxa de mortalidade em várias  cidades ocidentais em  1918-1919. © DR

Esta é, já agora, a grande questão que foi deixada sem resposta. Ao matar parte da força de trabalho disponível, a gripe não fez com que os salários subissem de forma sustentável? Esta foi a conclusão de dois investigadores, Elizabeth Brainerd e Mark Siegler, num estudo de 2006 que comparou a evolução salarial em diferentes estados dos Estados Unidos para mostrar que os estados mais afetados pela pandemia sofreram aumentos salariais mais elevados do que os dos estados que foram mais poupados.

Por outras palavras, o choque de 1918 pode ter destruído temporariamente empregos, mas a subsequente dificuldade em encontrar trabalhadores pode ter levado a aumentos salariais e, consequentemente, a um efeito positivo na economia. Isso não impediu a violenta correção do crescimento americano em 1920-1921, seguida pelo crescimento impulsionado pela dívida e pelos mercados financeiros até 1929.

Esta conclusão é, aliás, posta em causa pelo estudo sueco, que não identifica qualquer impacto sobre os rendimentos do trabalho. Segundo os investigadores, a gripe espanhola levou a uma reorganização do trabalho no país e a um aumento da taxa de emprego das mulheres e dos menores, o que permitiu reduzir os salários em determinados sectores e compensar assim o efeito positivo sobre as remunerações.

Assim, em geral, como diz Thomas Garrett, “a maioria das indicações  sugere que os efeitos económicos da gripe de 1918 foram de curto prazo”, com um efeito muito negativo sobre os serviços e entretenimento. Os efeitos a longo prazo, principalmente relacionados com o declínio da mão-de-obra disponível, são muito  incertos.

Então, devemos estar tranquilos? Uma vez que uma pandemia como a gripe espanhola foi relativamente benigna para a economia em 1918-1919, poderia a epidemia Covid-19, que não se espera  que venha   a ser mais devastadora, não ser mais anedótica?

É uma possibilidade. Certamente sabemos que a peste negra de 1348-1349 e a peste de 1720 podem ter tido efeitos económicos muito negativos e duradouros. Mas a organização da economia feudal, na qual essas crises ocorreram, foi muito diferente da da economia capitalista. A mobilidade da força de trabalho e a diversificação da economia eram muito diferentes.

E também temos exemplos de epidemias devastadoras que não devastaram a economia, como a epidemia de cólera de 1831-1832, que levou em França o primeiro-ministro Casimir Perier com 18.000 parisienses em seis meses, o  que não impediu que a terrível crise de 1827 – uma das primeiras do capitalismo – se  repetisse nos anos seguintes.

Obviamente, deve ser salientado que qualquer comparação é arriscada. Não conhecemos a verdadeira taxa de mortalidade da Covid-19 e qual a dimensão da população que será realmente afetada. Mas para argumentar quanto a um efeito a curto prazo na economia, também podemos lembrar que a Covid-19 é uma doença muito diferente da gripe espanhola. Por enquanto, a sua taxa de mortalidade parece ser particularmente alta entre as pessoas mais velhas e, portanto, apenas parcialmente na população em idade de trabalho.

O impacto na capacidade de produzir bens e serviços pode, portanto, ser muito diferente, mas o vírus pode sofrer mutações e tornar-se mais perigoso.

O nível de saúde e higiene também é hoje melhor do que em 1918, especialmente porque em alguns países a guerra já tinha conduzido a situações de tensão no sector da saúde. No entanto, é preciso lembrar que a austeridade na saúde é uma constante nos países ocidentais e que o coronavírus está a afetar  a França no meio de  uma crise hospitalar, resultado do subinvestimento e da contínua austeridade dos últimos dez anos. E este fator não deve ser sobrestimado.

A confirmar o que diz Romaric Godin alguns gráficos publicados em 2019 pelas autoridades francesas:

 

 

O desfile a favor dos  «empréstimos em defesa da liberdade» em Filadélfia, no dia 28 de setembro de 1918, que acelera a  pandemia na cidade . © DR

Enfim,  embora os meios de comunicação estejam mais desenvolvidos hoje do que em 1918, não nos devemos esquecer que a doença se espalhou pelo mundo apesar de tudo, afetando inclusive as ilhas do Pacífico e o Alasca. A verdadeira diferença, como aponta Pierre-Cyrille Hautcoeur num texto publicado no Le Monde, é a lei do silêncio que acompanhou a doença e apanhou a população de surpresa.

Em Filadélfia, por exemplo, em 28 de setembro de 1918, foi realizado uma manifestação a favor dos empréstimos  pró-guerra, quando já haviam sido relatados casos na cidade. Reuniram-se várias centenas de milhares de pessoas para este desfile, o que acelerou a propagação da doença.

Na Suécia, também foram tomadas poucas precauções. Em Östersunds, no condado de Jämtland, o mais afetado pela pandemia, “a propagação catastrófica da gripe foi em grande parte possível pela perplexidade das autoridades e as suas reações frequentemente desajeitadas”, disse o historiador Hans Jacobsson ao Guardian

Por enquanto, em 2020, as autoridades dos países ocidentais parecem estar a seguir um caminho muito diferente, com mais transparência e medidas preventivas. Isto não impede atrasos, erros e falta de preparação, como vimos com a escassez de máscaras em França, o que pode ter consequências muito graves.

No entanto, há indícios de que a economia global poderá enfrentar um cenário mais difícil. Em 1918-1919, a gripe espanhola pôde ser, no caos que a rodeia, um detalhe anedótico. Numa economia em plena reestruturação, sujeita a uma intensa luta social e a uma redistribuição dos canais de comércio, a cessação de certas atividades durante algumas semanas teve pouco impacto a longo prazo.

Por  outras palavras, a economia daquela época, por mais horrível que fosse, tinha desafios mais sérios para enfrentar do que a pandemia. Havia também bolsas de crescimento maiores: o desenvolvimento da segunda revolução industrial (motor de combustão e eletricidade) não estava totalmente concluído e a sociedade de consumo ainda não tinha sido construída.

Mas a situação não é a mesma hoje. Primeiro que tudo, a estrutura da economia é diferente. As cadeias de valor industriais são muito mais internacionais e, por razões de rentabilidade, operam numa base just-in-time. Alguns sectores, como o turismo, assumiram uma importância considerável e serão atingidos de forma dura e provavelmente permanente.

Além disso, a economia é mais orientada para os serviços do que, como em 1918-1919, a indústria e a agricultura. Este sector de serviços foi o mais afectado em 1918, como salientou Thomas Garrett. Ao contrário de 1918, o sector financeiro tem hoje um papel predominante no crescimento.

O duplo choque da oferta e da procura causado pelo coronavírus pode arruinar a narrativa em que se baseia o crescimento dos mercados financeiros relativamente a uma   futura aceleração do seu crescimento. Porque a economia  global de hoje tem poucas perspectivas de crescimento, a sua produtividade está a abrandar inexoravelmente. O crescimento é baseado apenas em bolhas tecnológicas e financeiras que se estão a  tornar cada  mais frágeis, dia após dia.

Um grão de areia pode arruinar este castelo de cartas. A única resposta das autoridades hoje é a mesma de 2008 e 2012: o uso da política monetária para evitar que as bolhas rebentem. Tornou-se em grande parte ineficaz.

E este é de facto o paradoxo da época: ao contrário de 1918, não existe hoje um caos económico completo, existe uma lenta e inexorável desaceleração. Isto torna a economia muito mais sensível a choques externos, como os de uma pandemia, o que também é devido, através dos mercados financeiros, aos receios que os acompanham.

O que a história nos ensina, portanto, é que devemos antes de tudo preocupar-nos com o acesso aos cuidados com os mais frágeis e, daí,  com as desigualdades. Isto implica, sem dúvida, mais do que apenas buracos de irrigação monetária e um Ministro da Economia “ao lado dos dirigentes   empresariais”?

 

Romaric Godin, Mediapart, Les leçons économiques de la «grippe espagnole», un siècle avant le coronavírus. Texto disponível em:

https://www.mediapart.fr/journal/economie/060320/les-lecons-economiques-de-la-grippe-espagnole-un-siecle-avant-le-coronavirus

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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