Morreu hoje aos 81 anos Carlos do Carmo, um cantor e intérprete de fado português, “um embaixador do fado”, um dos mais reconhecidos, premiados e aclamados fadistas de sempre. O cantor faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde tinha dado entrada no dia anterior com um aneurisma na aorta. A “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” descreve-o como uma “figura marcante no estabelecimento de mudanças na tradição fadista”, sendo uma das “suas maiores referências, com reconhecimento nacional e internacional”. Nascido em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939, Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019. Filho da fadista Lucília do Carmo cresceu num ambiente fadista. Desde 1947 que a sua mãe era proprietária da casa de fados “Adega da Lucília”, no Bairro Alto, em Lisboa, atual “Arcadas do Faia”, que passou a ser gerida por Carlos do Carmo em 1962. A sua vocação musical despertou, porém, em 1963, quando gravou um fado da sua mãe, intitulado “Loucura”. Carlos do Carmo revelou, ao longo da carreira, “uma voz límpida e uma dicção clara cuidadosamente ajustada ao sentido dos poemas”, segundo a Enciclopédia dirigida pela etnomusicóloga Salwa Castelo-Branco, onde se lê ainda que as alterações que no fado foram influenciadas pelos seus gostos musicais, que incluem referências da bossa nova, de Frank Sinatra e Jacques Brel, de quem gravou “La Valse a Mille Temps”. No ano de 1977 saiu o seu álbum “Um Homem na Cidade”, totalmente constituído por poemas de José Carlos Ary dos Santos, musicados por José Luís Tinoco, Paulo de Carvalho, Martinho d’Assunção, António Victorino de Almeida e Fernando Tordo. Carlos do Carmo gravou regularmente desde 1980. Em 2013, quando celebrou 50 anos de carreira, editou o álbum “Fado é Amor”, que gravou em duo com vários fadistas, entre os quais Ricardo Ribeiro, Camané, Mariza, Raquel Tavares e Marco Rodrigues. O seu último álbum intitulado “E Ainda…”, foi editado em novembro de 2020. Carlos do Carmo foi um dos principais e mais determinantes embaixadores da Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, e desempenhou um “papel fundamental na divulgação dos maiores poetas portugueses, como destacou o júri do Prémio Vasco Graça Moura de Cidadania Cultural. Despediu-se dos palcos a 9 de novembro de 2019, com um último concerto no Coliseu de Lisboa. Com um percurso de mais de 50 anos, Carlos do Carmo foi reconhecido, em 2014, com um Grammy Latino de carreira, o que lhe valeu igualmente o Prémio Personalidade do Ano – Martha de la Cal, da Associação Imprensa Estrangeira em Portugal. Esta é uma perca incomensurável para o mundo musical português a quem deixa valor acrescentado. Em sua homenagem escolhi estas três composições: “No teu poema” (letra e música de José Luís Tinoco), “Duas Lágrimas de Orvalho” Carlos do Carmo ao vivo com o fado “Duas Lágrimas de Orvalho” (João Linhares Barbosa /Pedro Rodrigues) e convidou e fez uma pequena homenagem ao prof. Joel Pina, espetáculo gravado no C.C.B com os músicos: José Manuel Neto, Carlos Manuel Prença, Paulo Soares, Luís Guerreiro, Mário Pacheco, Pedro Castro, Ângelo Freire e Custódio Castelo e “Gaivota”.

