2021- CENTENÁRIO ERNESTO DE SOUSA – V – filme “Dom Roberto”

Ernesto de Sousa  realizou o filme “Dom Roberto”,  protagonizado por Raul Solnado e Glicínia Quartim e que gerou grande polémica. Os teóricos questionam-se: foi o apogeu do neo-realismo ou foi o início do ”cinema novo”?

Delfim Sardo considera este filme neo-realista por abordar questões de natureza social, caracterizando socialmente as suas personagens. Mas também considera que a forma como elas são abordadas é já do “cinema novo” (afirmações no lançamento de “As cartas do meu Magrebe”.

O tema central é a vida miserável de um vagabundo sonhador da cidade de Lisboa, João Barbelas, a quem os garotos deram a alcunha de “Dom Roberto” por o verem deambular com o seu teatro ambulante de fantoches pelas ruas da cidade.

O filme foi selecionado para o Festival de Cannes, de 1963, onde recebeu a Menção Especial do Júri do Melhor Filme para a Juventude), mas Ernesto de Sousa foi impedido pela Pide de nele comparecer, tendo sido perseguido e preso. Foi estreado no cinema Império a 30 de Maio de 1962.

É um filme que se assume como “político” mas também um filme de vanguarda pela forma como a história é abordada e filmada, pelo tratamento cinematográfico a partir da improvisação. Sardo recordou que, certa vez, no Jornal de Letras e Artes, em 1962, perguntaram a Ernesto de Sousa se Dom Roberto era um filme populista, facto que o deixou furioso. Respondeu que não, e que, como qualquer filme tem tensões e contradições, mas não tinha qualquer tipo de paternalismo.

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