“EXPOSIÇÃO “100 ANOS NADIR” NA BIBLIOTECA NACIONAL ATÉ 18 DE SETEMBRO

100 anos Nadir

EXPOSIÇÃO | 23 jun. – 18 set. ’21 | Sala de Referência | Entrada livre

“O homem volta-se para a geometria como as plantas se voltam para o sol: é a mesma necessidade de clareza e todas as culturas foram iluminadas pela geometria, cujas formas despertam no espírito um sentimento de exatidão e de evidência absoluta”.
Nadir Afonso

“A arte clarifica os espíritos e dignifica o homem. A arte humaniza”.
Nadir Afonso

A Biblioteca Nacional de Portugal apresenta a exposição 100 Anos Nadir, num modelo reduzido da exposição idealizada por Fátima Vieira, Vice-Reitora da Universidade do Porto, que esteve patente na reitoria da mesma universidade em 2020.

Olhos fitos numa beleza distante, a vida de Nadir Afonso traduz-se na entrega absoluta à arte e à estética como desígnio de vida. A sua história de vida traz consigo uma mensagem: uma visão original da estética e uma obra de características invulgares.


A exposição é composta por um conjunto de pequenos estudos dispostos por núcleos que cruzam os vários períodos ao longo de mais de 75 anos de trabalho, desde o surrealismo — passando pelo período barroco, egípcio e os Espacillimités — até ao fulgor das cidades e um conjunto de telas e guaches que evocam centros urbanos e completam o conjunto.

O fenómeno do espaço e do tempo ocuparam sempre a mente de Nadir Afonso e, regressado do Brasil, onde trabalhou com Óscar Niemeyer, integra o grupo de artistas que procuram a arte cinética, da Galeria Denise René, tendo concebido as pinturas a que chamou Espacillimités. Os fundos brancos são complementados por formas geométricas bem definidas: formas curvas, ogivas, formas côncavas e convexas conjugadas com polígonos, mais ou menos regulares. No avolumar e dispersão de formas e cores, nos Espacillimités encontramos a cidade geométrica que surge assim naturalmente.

Uma vivência cosmopolita e uma grande capacidade de reflexão levaram Nadir Afonso a encontrar, através da geometria, o caminho que o conduziu à compreensão do fenómeno artístico, a desenvolver uma teoria em que a origem das significações reside naquilo que denominou as condições de existência. Nadir faz apelo ao sentir das formas submetidas às leis geométricas, leis essas que podem ser apreendidas pela sensibilidade humana a partir das formas elementares existentes no seio da Natureza, como tal, leis matemáticas que regem a matéria:

«Quatro temas que se conjugam, desenvolvem nos nossos três precedentes estudos e nos quais as teorias físicas da relatividade, as conceções filosóficas de idealistas e de materialistas e as teses biográficas sobre Van Gogh, são repostas em questão1

Para Nadir há propriedades distintas nos objetos, propriedades essenciais que os estetas negligenciam. Existem atributos qualitativos, como, por exemplo, a perfeição, a originalidade, a evocação, mas existem também atributos quantitativos como, por exemplo, a forma circular, quadrangular, triangular. Os atributos qualitativos não são fatores intrínsecos aos objetos, mas, sim, fatores que o Homem atribui à função do objeto. Já os atributos quantitativos são fatores intrínsecos ao objeto. Ora, é a estes fatores quantitativos, intrínsecos ao objeto, que se reporta a obra de arte.

Os fatores extrínsecos são evolutivos e perdem-se no espaço e no tempo sendo tão-somente conservados fixos na obra de arte quando realçados pela forma intrínseca, exata, matemática.

Ao longo da vida, Nadir Afonso fez muitas vezes apelo ao rigor matemático, acreditando que o Homem antes de adquirir o sentido abstrato do equilíbrio moral possuía já o sentido concreto do equilíbrio e do rigor espacial dados pela Geometria, a sua primeira ciência e um dos seus primeiros cultos.

Ao celebrar os 100 anos de Nadir, damos a conhecer o seu percurso artístico, e uma obra pictórica detentora de grande originalidade, o seu pensamento estético, de valor inegável, fruto de continuada reflexão e objetividade.

Laura Afonso

1 Afonso, Nadir – Da intuição artística ao raciocínio estético. Lisboa: Chaves Ferreira, 2003, p. 96.

 

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