Em Janeiro de 2015, Carlos Loures contactou-me por correio electrónico. Nele, manifestava interesse em publicar o meu texto “Eu Sou Todos os Charlies” em aviagemdosargonautas.net.
Respondi-lhe que sim, mas alertei-o para o facto do texto já ter sido editado em resistir.info; e em aldeiadacoelha, que era então o meu blogue pessoal.
Carlos Loures tinha-o lido em resistir.info, mas disse-me que não tinha nenhum problema em reeditá-lo no blogue que fundara e dirigia. E fez mais: convidou-me a escrever uma coluna semanal, que teria a designação que eu escolhesse.
Assim nasceu “Sinais de Fogo”, em homenagem a Jorge de Sena, e uma colaboração que se prolonga até aos dias de hoje.
A partir de então, falava amiúde com Carlos Loures. Em longas conversas telefónicas. Às vezes discordávamos, mas a amizade entre ambos ganhou a solidez granítica da minha cidade – o Porto, que muitos anos antes lhe tinha sido apresentado pelo nosso querido e comum amigo Papiniano Carlos.
O agravamento do seu débil estado de saúde obrigou Carlos Loures a trocar a sua Lisboa natal pela Ericeira. E as conversas entre ambos foram subitamente interrompidas. Mas nunca deixamos de nos abraçar, pois dessa tarefa se encarregava o João Machado sempre que o visitava.
Agora, a minha lista telefónica regista mais um ausente. Mas, como sempre faço, o seu nome e número de telefone vão continuar a vigorar ali. Numa lista onde só há lugar para os amigos.