Um livro difícil de classificar mas daqueles que gosto de ler nas férias, sem preocupações, deixando-me levar pelo ritmo alucinante e pela fantasia que impõe aos leitores.
A narrativa apresenta Juan e Gaspar, um pai e um filho cujo relacionamento é explorado até os campos extremos da dor da perda e onde as personagens atravessam mundos e submundos. Os temas universais da família, do poder e da eternidade cruzam-se com os de sociedades secretas e seres obscuros que procuram redefinir a natureza da vida e da morte – o terror sobrenatural entrecruza-se com terrores muito reais.
A narrativa é definida nos anos 60 e 70 na Argentina, no meio da ditadura militar argentina, com o ambiente de terror, angústia e incertezas, alcançando os anos 1990, com a militância juvenil, as mortes por SIDA e a recessão econômica.
Os santos pagãos e a mitologia argentina são uma grande fonte de inspiração, atravessando a história contada da “Ordem”, uma seita formada por ricos que buscam a vida eterna e veneram a Escuridão, entidade que devora corpos e se manifesta através de médiuns.
Mas abordando também todo um relato sobre questões existenciais e universais, como amor e morte, de relacionamentos, questões sobre a paternidade, herança, amadurecimento e amizade.
Nossa Parte de Noite ganhou a 37ª edição do Prémio Herralde de Novela, um dos mais importantes prémios da literatura em língua espanhola. A autora foi a primeira argentina a conquistar tal prêmio.
Mariana Enriquez nasceu em 1973, em Buenos Aires. É jornalista, romancista, contista e colaboradora pontual das revistas The New Yorker, Granta, McSweeney’s, Eletric Literature. Além de professora, é subeditora do suplemento Radar do diário Página/12. O seu livro As Coisas que Perdemos no Fogo foi publicado em 25 países.