A IMPORTÂNCIA DE FALAR E CANTAR PARA UM BEBÉ por Clara Castilho

Este vídeo ilustra uma das primeiras situações onde se pode observar o lúdico na vida de um bebé.

Sabemos que a música pode produzir reações fisiológicas. O medo e a alegria podem ser acompanhados por transpiração, excitação com determinados andamentos rápidos. Tristeza ou serenidade pode ser provocada por andamentos mais calmos. Estas reações ocorrem independentemente da “vontade” do ouvinte.

Vários estudos mostraram que a música ativa as mesmas zonas cerebrais que participam do processamento de emoções. Didier Anzieu, pedopsiquiatra francês, avançou com o conceito de “envelope sonoro” que corresponde a um estado muito precoce da formação do Eu, e que é como que um “um espelho sonoro ou uma pele audiofónica em que a sua função será zelar pelo aparato psíquico e pela aquisição da capacidade de dar significado e de simbolizar”.

E falar de música é falar da voz de quem de mais perto acompanha um bebé: “A voz da mãe é a da música; a música, é da voz da mãe.”(Piérre Paul Lacas). E é aqui que a música pode ter a função de consolidação da vinculação do bebé à mãe. As canções de embalar são universais …e a criança sente-se envolvida num banho melódico, unida a quem para ele canta, sente-se confortável, apaziguada e relaxada.

Adolfo Coelho (1883) afirmou “os contos e rimas infantis parecem ser como o leite materno, que nenhuma preparação, por mais adiantada que esteja a ciência, poderá igualar”(1). Este autor chamou a estas criações literárias “pedagogia de amas”. Mal imaginava ele como a ciência viria a dar-lhe razão!

E continua: “ Da fórmula constam, essencialmente, ritmo e melodia, determinadas pela regularidade métrica e pela sonoridade das palavras, com relevo para a alternância de acentos fortes e fracos, para a rima e para as repetições. Constam ainda, gestos e mímica ligados intimamente à linha prosódica e também processos de carácter poético ou lúdico que alimentam a criatividade, com particular relevo para o nonsense. O seu modo de transmissão – de viva voz – pressupõe a proximidade, o prazer do contacto físico dos interlocutores e a permanente adequação comunicativa”(2).

(1) Elementos Tradicionais da educação, Lisboa, Livraria Universal;

(2) Jogos e Rimas infantis, 1994, Porto, Asa

 

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