Espuma dos dias — A política de Covid da China.  Por Michael Roberts

Seleção e tradução de Francisco Tavares

3 min de leitura

A política de Covid da China

 Por Michael Roberts

Publicado por The Next Recession  em 4 de Dezembro de 2022 (original aqui)

 

Estará a China a dirigir-se para um surto descontrolado de infecção por COVID à medida que relaxa a sua rigorosa política de bloqueio, como aqui é afirmado pelos meios de comunicação social ocidentais?

 

Alguns factos: A China está a atravessar a sua terceira grande onda de infecções, com cerca de 4.000 novos casos (sintomáticos) por dia ultimamente.

 

Mas tendo em conta a sua enorme população, isto não é nada parecido com o que se está a passar noutras partes do norte da Ásia.

 

Decisivamente, o número actual de casos graves (que requerem intervenção da UCI) na China – 108 no total – é minúsculo; tal como noutros locais, isso é cerca de 90% abaixo do pico das ondas anteriores. E apenas 7 pessoas morreram (com?) da doença na China nos últimos 6 meses.

Embora as mortes globais tenham caído para cerca de 1.500 por dia (novamente, 90% abaixo do pico), é irónico que os países com as mais altas taxas de vacinação sejam os que actualmente registam os mais altos níveis de mortalidade. As taxas de vacinação da China, para que conste, situam-se estão no meio do pelotão.

Desde o início da pandemia global de Covid-19, o número total de vítimas mortais por Covid em relação à população mal se registaram na China – os EUA tiveram quase mil vezes mais.

E a taxa de mortalidade Covid-19 da China, agora em queda rápida, está em linha com outros grandes EMs:

Assim, embora haja as habituais advertências sobre a qualidade/fiabilidade dos dados, de momento não há indicação de que, pelo menos epidemiologicamente, as coisas estejam fora de controlo. Se começarmos a ver as taxas de infecção acelerarem exponencialmente (o Ano Novo chinês parece ser um risco óbvio), a história pode mudar. Mas, neste momento, as taxas são bastante estáveis.

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O autor: Michael Roberts [1938-], economista britânico marxista. Trabalhou durante mais de 30 anos como analista económico na City de Londres. É editor do blog The next recession. Publicou, entre outros ensaios, Marx200: a Review of Marx’s economics 200 years after his birth (2018), The long Depression: Marxism and The Global Crisis of Capitalism (2016), The Great recession: a Marxist view (2009).

 

 

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