A primeira imagem de Cosmos é a de um embondeiro de onde pendem três corpos. As atrizes e encenadoras apropriam-se de “imagens repetidas na História de tantas maneiras trágicas” e atribuem-lhes novos significados. Através do resgate da mitologia africana e da sua mistura com mitos europeus, Cosmos projeta-se num horizonte afro-futurista, enquanto questiona se somos apenas frutos das histórias que nos contam. A partir de uma versão muito livre de Hamlet, um grupo de pessoas com síndrome de Down sobe ao palco para partilhar os seus desejos e frustrações. O espetáculo resulta de um cruzamento entre o texto de Shakespeare e as vidas dos atores, animado pela pergunta existencial que popularizou o príncipe da Dinamarca: ser ou não ser? O que significa ser para quem é considerado um fardo, um refugo social? Moria assume-se como uma jornada imersiva e documental ao interior daquele que muitos não hesitaram em descrever como o “pior campo de refugiados da Europa”. Dentro de uma tenda de campanha, as atrizes Marta Viera e Andrea Zoghbi dão corpo e voz aos testemunhos reais da afegã Zohra Amiryar e da iraquiana Douaa Alhavatem, duas das múltiplas vidas interrompidas e violentadas na ilha de Lesbos.


