Seleção e tradução de Francisco Tavares
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Os capitalistas, quais abutres, pairam sobre a Ucrânia
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em 5 de Julho de 2023 (original aqui)

Há duas semanas, milhares de representantes de empresas e governos de todo o mundo reuniram-se em Londres para “apoiar a recuperação da Ucrânia”. Mas será que a reunião de todas essas elites empresariais ocidentais na Conferência de Recuperação da Ucrânia foi inteiramente altruísta? Afinal de contas, a guerra está a criar enormes oportunidades de lucro.
No ano passado, o governo ucraniano subcontratou todo o processo de “reconstrução” do pós-guerra à BlackRock, a maior empresa de gestão de activos do mundo. Assinaram um acordo para “prestar apoio consultivo na conceção de um quadro de investimento, com o objetivo de criar oportunidades para os investidores públicos e privados participarem na futura reconstrução e recuperação da economia ucraniana”. Em Fevereiro, a J.P. Morgan também foi contratada.
Os dois bancos vão gerir o Fundo de Desenvolvimento da Ucrânia, que tem como objetivo angariar investimento privado em projectos com um valor potencial de centenas de milhares de milhões de dólares em sectores como a tecnologia, os recursos naturais, a agricultura e a saúde. A BlackRock e o J.P. Morgan estão a doar os seus serviços, mas, como refere o Financial Times, “o trabalho permitir-lhes-á ter uma visão antecipada dos possíveis investimentos no país“. As oportunidades são significativas, sobretudo no sector agrícola: A Ucrânia possui um quarto do chernozem (“terra negra”) do mundo, um solo extraordinariamente fértil, e antes da guerra era o maior produtor mundial de farinha, óleo e sementes de girassol e um dos maiores exportadores de milho e trigo.
De certas perspectivas, a guerra é claramente boa para os negócios: de facto, quanto maior for a destruição, maiores serão as oportunidades de reconstrução. Em Davos, este ano, Larry Fink, diretor executivo da BlackRock, disse esperar que a iniciativa transformasse o país num “farol do capitalismo”. David Solomon, diretor executivo da Goldman Sachs, também falou com entusiasmo do futuro da Ucrânia no pós-guerra. “Não há dúvida de que, à medida que o país for reconstruído, haverá bons incentivos económicos para um verdadeiro retorno e um verdadeiro investimento”.
Vendo uma oportunidade no meio da tragédia, 500 empresas globais de 42 países já assinaram o Ukraine Business Compact “para ajudar a concretizar o seu enorme potencial” – ou garantir a sua fatia do bolo ucraniano. “A maioria está a manter-se à margem por enquanto, dada a ameaça à segurança”, refere o FT. “Mas já há empresas prestes a entrar no país, especialmente nas indústrias de construção e materiais, processamento agrícola e logística.”
Ao longo dos anos, através de uma série de eventos semelhantes, os governos ocidentais e os líderes empresariais não esconderam o seu entusiasmo em utilizar o regime pós-Maidan – e agora a guerra – para alterar radicalmente a economia política da Ucrânia. A agenda: abrir o país e torná-lo seguro para o capital ocidental, transformando-o numa zona económica especial. Esta terapia de choque neoliberal deveria, na sua opinião, incluir “o reforço da economia de mercado”, “a descentralização, a privatização, a reforma das empresas públicas, a reforma agrária, a reforma da administração do Estado” e a “integração euro-atlântica”, bem como uma “desregulamentação” generalizada e a redução da “legislação laboral desactualizada que conduz a processos complicados de contratação e despedimento, regulamentação das horas extraordinárias, etc.”. Em suma, o Consenso de Washington em esteróides.
Este programa está, indiscutivelmente, em curso desde meados dos anos noventa, quando o Ocidente utilizou os empréstimos do FMI e as suas condicionalidades para impor à Ucrânia, tal como fez com a Rússia, uma série de reformas radicais orientadas para o mercado livre que paralisaram a economia. Como salientou o economista indiano Prabhat Patnaik, o FMI desempenhou um papel fundamental na precipitação da crise de 2014: O então Presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, recusou-se a aceitar as exigências do FMI no sentido de reduzir os salários, cortar nas despesas sociais e acabar com os subsídios ao gás para se integrar na UE, e voltou-se para a Rússia para um acordo económico alternativo. Este foi o pano de fundo para os protestos Euromaidan apoiados pelo Ocidente e, em última análise, para a mudança de regime de 2014.
Depois de 2014, a agenda económica do Ocidente foi novamente intensificada. As multinacionais ocidentais há muito que estavam de olho na vasta riqueza agrícola da Ucrânia, mas a moratória de 2001 sobre a venda de terras a estrangeiros sempre representou um obstáculo à privatização desenfreada. Quando os governos pós-Maidan se voltaram novamente para o FMI para obter financiamento, a ajuda foi condicionada a uma série de reformas agrárias que permitiriam finalmente que as empresas estrangeiras adquirissem vastas extensões de terras agrícolas do país. Na série televisiva de 2015, Servo do Povo – protagonizada por Zelenskyy como o presidente fictício, Goloborodko – as condições exigidas pelo FMI para um novo empréstimo são rejeitadas e a delegação ocidental é expulsa. Mas, na realidade, as coisas passaram-se de forma bastante diferente. Em 2020, Zelenskyy cedeu às exigências do FMI e acabou por revogar a moratória.
“Os interesses do agronegócio e os oligarcas serão os principais beneficiários desta reforma”, afirmou Olena Borodina, da Rede Ucraniana de Desenvolvimento Rural. “Isto só irá marginalizar ainda mais os pequenos agricultores e arrisca-se a separá-los do seu recurso mais valioso”. Mas o Banco Mundial mal conseguiu conter o seu entusiasmo, dizendo esfuziantemente: “Este é, sem exagero, um acontecimento histórico”. Apesar de a nova lei só entrar em vigor no próximo ano, as empresas agrícolas dos EUA e da Europa Ocidental já compraram milhões de hectares de terras agrícolas na Ucrânia – com 10 empresas privadas a controlar a maior parte delas.
Com o alastrar da guerra, os apelos do Ocidente às “reformas estruturais” na Ucrânia só se intensificaram. Em meados de 2022, o Center for Economic Policy Research (CEPR), um influente grupo de reflexão americano, publicou um relatório intitulado Macroeconomic Policies for Wartime Ukraine (Políticas macroeconómicas para a Ucrânia em tempo de guerra), no qual defendia que o objetivo da Ucrânia deveria ser “prosseguir uma desregulamentação radical e extensiva da atividade económica“. Ainda mais preocupante, de acordo com o observatório económico do Oakland Institute, a ajuda financeira ocidental “está a ser utilizada como uma alavanca pelas instituições financeiras para conduzir a reconstrução pós-guerra no sentido de novas reformas de privatização e liberalização“. A União Europeia, por exemplo, deixou claro que a decisão do bloco de suspender os pagamentos de juros sobre os empréstimos da Ucrânia só seria activada se houvesse “cumprimento dos pré-requisitos políticos” no que diz respeito às reformas laborais, por exemplo, e à privatização dos activos do Estado.
Por isso, não foi surpresa quando, no ano passado, o governo ucraniano adoptou legislação em tempo de guerra para reduzir drasticamente a capacidade dos sindicatos de representarem os seus membros. Deu aos empregadores o direito de suspender unilateralmente os acordos colectivos e isentou efetivamente a grande maioria dos trabalhadores da legislação laboral ucraniana – um retrocesso dramático para os trabalhadores, mas uma vantagem para o capital global. Os governos ocidentais consentiram silenciosamente com as reformas e, de facto, documentos divulgados em 2021 indicam que o Reino Unido, através do seu braço de ajuda ao desenvolvimento, UK Aid, e da sua embaixada em Kiev, estava a financiar consultores para ajudar o governo ucraniano a vender as reformas do mercado de trabalho à população.
À medida que o Governo ucraniano simplificou e acelerou a privatização das empresas públicas, Zelenskyy parece ter-se esforçado por exprimir da mesma forma a “abertura” do país ao capital ocidental. Em Setembro passado, abriu virtualmente a Bolsa de Valores de Nova Iorque, tocando simbolicamente a campainha através de vídeo. Aproveitou a ocasião para apresentar “Advantage Ukraine“, a nova iniciativa de investimento do seu governo (que conta com outra empresa britânica, a WPP, para a sua vertente de marketing). Zelenskyy afirmou que o seu país estava “aberto para negócios”, ou seja, para as empresas estrangeiras virem explorar os seus recursos e a sua mão de obra barata. “Comprometi a minha administração a criar um ambiente favorável ao investimento que faça da Ucrânia a maior oportunidade de crescimento na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, escreveu no Wall Street Journal. Como era de prever, o presidente do Grupo NYSE, Lynn Martin, saudou vivamente a decisão da Ucrânia de oferecer “um acesso sem restrições ao capital”.
Em Janeiro deste ano, dirigindo-se aos participantes na reunião da Associação Nacional das Câmaras de Comércio do Estado, Zelenskyy descreveu as empresas americanas como a “locomotiva que irá mais uma vez impulsionar o crescimento económico global”. Ninguém pode censurar Zelenskyy por ter escolhido o menor de dois males: Os bancos ocidentais em vez dos tanques russos. No entanto, o facto sombrio é que, mesmo que a sua nação consiguisse anular a invasão russa, o futuro reservado à Ucrânia não é necessariamente de soberania e autodeterminação mas, muito provavelmente, de tutela económica ocidental.
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O autor: Thomas Fazi é escritor, jornalista, tradutor e investigador. Autor de “The Battle for Europe: How an Elite Hijacked a Continent – and How We Can Take It” Back (Pluto, 2014) e o seu mais recente livro é “Reclaiming the State; A Progressive Vision of Sovereignty for a Post-Neoliberal World” em co-autoria com Bill Mitchell, editado por Pluto 2017.



O planeta está-se a borrifar para a esperteza Sun Tsu dos ocidentais mainstream.
POIS É, É ISSO: imbuídos de óptimas perspectivas de pilhagem… os boys/girls da civilização das pilhagens (ocidentais mainstream) manobraram/manipularam o povo mais estúpido do planeta (ucranianos imbuídos de gula de pilhagem)!…
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Não basta repudiar a Civilização das Pilhagens!!!
[boys/girls que pretendem estar instalados/as como cidadãos de Roma no planeta, vulgo: ocidentais mainstream]
Urge reivindicar:
-> LIBERDADE/DISTÂNCIA/SEPARATISMO desse pessoal!
[separatismo–50–50]
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Vocês sabem (todo o planeta sabe): os ocidentais mainstream não mudam… HÁ 500 ANOS QUE É MAIS DO MESMO:
—>>> há 500 anos que estão envolvidos num esquema de pilhagem:
– querem investimentos… querem dinheirinho em impostos pagos… têm que estar em conluio com interesses económicos “construtores de caravelas”; isto é, em conluio:
–> com interesses económicos que investem em pilhagem de riquezas…
–> com interesses económicos que investem na existência de outros como fornecedores de abundância de mão-de-obra servil…
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500 anos de pilhagens identificam perfeitamente bem os boys/girls «VALE TUDO PARA JUSTIFICAR NEGOCIATAS DE PILHAGEM»:
– América do Norte, América do Sul, Austrália, África;
– Iraque (falsa existência de armas de destruição maciça);
– Síria/Líbia (financiamento de jihadistas);
– Ucrânia (financiamento de neo-nazis: argumentando que são paladinos defensores da civilização ocidental)
– etc.
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A PARASITAGEM (pretende estar instalada como cidadãos de Roma) MANOBROU/MANIPULOU O POVO MAIS ESTÚPIDO DO MUNDO
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Imbuídos de óptimas perspectivas de pilhagem, o ocidente mainstream boicotou (Merkel e Holland vangloriam-se desse boicote: consideram-se mestres Sun Tsu) quatro propostas de paz:
1- acordo Minsk 1.
2- acordo Minsk 2 .
3- proposta de conversações de paz/segurança em dezembro de 2021.
4- conversações em Março de 2022.
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Mais,
os ucranianos foram atrás da conversa ‘venda de banha da cobra’ dos boys e girls da esperteza Sun Tsu ocidental:
-> «a Rússia é apenas uma potência regional, não é uma potência global».
-> nove, em cada dez, dos mais variados analistas ocidentais garantiam:
– «armas da NATO na Ucrânia… juntamente com sanções económicas à Russia,
…e…
a Russia seria conduzida ao caos: tal seria uma oportunidade de ouro: iria proporcionar um saque de riquezas da Russia muito muito muito superior ao saque de riquezas que ocorreu no ‘caos-Ieltsin’ na década de 1990».
[pois sim sim: era expectável que a Russia fosse socorrer os russófonos das regiões russófonas do leste da Ucrânia: foram regiões cedidas à Ucrânia pela ditadura dos sovietes]
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Sim,
os ucranianos (o povo mais estúpido do mundo):
-> podiam viver em paz com o seu vizinho, todavia… foram atrás da conversa ‘venda de banha da cobra’ da esperteza Sun Tsu ocidental!
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Mais: o ocidente da esperteza Sun Tsu garantiu à Rússia que a NATO não se moveria uma polegada para leste… são retirados 400 mil militares da Alemanha de Leste… passados 30 anos material militar produzido na Alemanha está a ser usado contra a Rússia.
—>>> os ucranianos estão indignados com os seus vizinhos russos, porque… ao contrário do que os boys/girls da esperteza Sun Tsu ocidental lhes haviam garantido… a Rússia não entrou num caos!?!?!
Caro leitor, sem deixar de agradecer o seu comentário direi que a expressão “o povo mais estúpido do mundo” está claramente a mais e nada adianta ao seu comentário. Estúpidos são sempre os outros…. mas o que dizer dos povos europeus que parece não terem consciência de que estão em guerra com a Rússia? E dos norte-americanos?