Para se falar sobre racismo é imperioso que se fale de anti racismo. Em Portugal, existem movimentos anti racistas, sendo o SOS Racismo pioneiro na criação de um movimento que ultrapassou a fase da indignação para a fase da contestação aos casos de discriminação e racismo, tornando públicos, atos de violência de cariz racista.
Entende, o SOS Racismo, que a luta contra o racismo e a xenofobia é de responsabilidade coletiva e exige mobilização de todos os sectores da sociedade.
O ativista José Falcão afirma que “O SOS RACISMO continuará firme na sua missão de promover a igualdade e combater todas as formas de discriminação racial.”
A Festa da Diversidade, organizada pelo SOS Racismo, quer tornar visível o direito de todos terem uma vida boa sem qualquer risco de rejeição, violência física ou simbólica, nem brutalidade policial ou administrativa, permitindo que todas as pessoas desfrutem efetivamente da liberdade de viver e usufruir do espaço público.
Em democracia a diversidade étnica e cultural deve tornar visíveis todas as formas de discriminação partindo-se do princípio que as diferenças não podem ser motivo de desigualdades.
Só com alternativas políticas se pode promover a justiça perante a ameaça racista que surge em muitos países europeus.
Acredito que a igualdade vence o ódio, combatendo o racismo, defendendo, assim, a Humanidade em toda a sua diversidade.
“ OH professora, porque é que todos me chamam Black, perguntou um menino de 10 anos, natural da Guiné.
“Quando te vês ao espelho, que cor vês na tua cara?
“preta”
“ então?”
“ põe a tua mão ao pé da minha, a cor é a mesma?”
“não”
“ se alguém te chamar preto, também podes chamar branco às pessoas da mesma cor que a minha”
“ posso, mas qual é o mal de chamar branco?”
Este menino, quando tinha 15 anos, morreu de overdose.
Este menino já tinha incorporado uma representação social que diminuía os pretos e engrandecia os brancos. Este menino já queria fazer valer os seus direitos, mas não era branco e por isso não ia conseguir atingir o seu projeto de vida porque era discriminado.
Este menino tinha qualidades de líder que o poderiam ter levado a formar uma força anti- racista.
Este menino preto como muitos outros pretos e brancos caíram nas malhas da droga e morreram porque estavam muito desconfortáveis nos seus endogrupos e no exogrupo que deveria ter políticas de inclusão.
Os meninos do Bairro Negro, que cantava José Afonso, existiam e existem por toda a parte. São poucas as organizações que conseguem derrubar a muralha do racismo e quando rompem nunca se tem a certeza que todos, toda a sociedade, tenham consciência do grande salto social dado em prol da Humanidade sustentado pela Declaração dos Direitos Humanos.
Menino do Bairro Negro
Olha o sol que vai nascendo anda ver o mar Os meninos vão correndo ver o sol chegar Menino sem condição irmão de todos os nus Tira os olhos do chão vem ver a luz Menino do mal trajar um novo dia lá vem Só quem souber cantar virá também Negro bairro negro bairro negro Onde não há pão não há sossego Menino pobre o teu lar Queira ou não queira o papão Há-de um dia cantar esta canção Olha o sol que vai nascendo anda ver o mar Os meninos vão correndo ver o sol chegar Se até dá gosto cantar se toda a terra sorri Quem te não há-de amar menino a ti Se não é fúria a razão Se toda a gente quiser Um dia hás-de aprender haja o que houver Negro bairro negro bairro negro Onde não há pão não há sossego Menino pobre o teu lar Queira ou não queira o papão Há-de um dia cantar esta canção
Este menino do Bairro Negro não é ficção, é a realidade de muitos meninos e meninas, não existe só nos cinemas, nas fotografias…
O conhecimento de Bairros Negros diz-nos que o negro de que fala a canção não se refere à cor da pele, mas à condição de meninos explorados diagnosticados por Josué Castro no seu livro « Geopolítica da Fome .»
Os meninos e meninas, os adultos, seja quem forem devem levantar os olhos do chão e ver a luz que nasce para todos.