PABLO NERUDA E A SAUDADE por Luísa Lobão Moniz

 

Saudade- Qué será?…yo no sé…lo he buscado

en unos diccionarios  empolvados  y antiguos

e en otros  libros que no me han dado el significado

de esta dulce palabra de perfiles ambíguos.

 

Dicem que azules son las montañas como ella,

que en ella se oscurecen los amores lejanos,

y un noble y bueno amigo mío ( y de las estrellas)

la nombra en un temblor de trenzas y de manos.

 

Y hoy en Eça de Queiroz sin mirar la adivinho,

su secreto se evade, su dulzura me obsede

como una mariposa de cuerpo extraño y fino

siempre lejos-tan lejos!-de mis tranquilas redes.

 

Saudade…Oiga, vecino, sabe el significado

de esta palabra blanca que como un pez se evade?

No…Y me tiembla en la boca su temblor delicado…

Saudade…

Pablo Neruda, in Crepusculário, 1923

 

Pablo Neruda é o poeta mais famoso do Chile. Além de escritor, foi diplomata. Usou a sua poesia não só para falar de amor, mas também como forma de expressão política.

Nasceu a 12 de Julho de 1904, no Chile. Em 1923, publicou o seu primeiro livro de poesias — Crepusculário.

Inspirado pelo pôr-do-sol, escreve de dois a cinco poemas por dia e termina, em 1923, o seu primeiro livro: Crepusculário, cuja edição é custeada por ele e por alguns amigos. Pablo escreve mais de trinta livros depois deste, no entanto, a singularidade do momento é relatada por ele, assim:
Meu primeiro livro! Sempre sustentei que a tarefa do escritor não é misteriosa
nem mágica, mas que, pelo menos a do poeta é uma tarefa pessoal.

Neruda faleceu a 23 de Setembro de 1973, em Santiago do Chile, foi diplomata, conheceu vários países e escreveu poesias caracterizadas pelo sentimentalismo, crítica sociopolítica e pela vida do dia- a- diaEm 1955, fundou e passou a dirigir a Revista Gazeta do Chile (três números anuais).  A sua primeira publicação foi o artigo “Entusiasmo e perseverança”, no jornal La Mañana, em 1917. 

Pablo Neruda viajou para a Europa. Conheceu Portugal, Espanha, França. Voltou para o Chile. Foi nomeado cônsul na Espanha.

Com o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936, Neruda foi para França, e regressou ao Chile no ano seguinte. O poeta voltou à Diplomacia e voltou a viver em Paris, onde lutou a favor dos refugiados espanhóis. Em 1940, partiu para a Cidade do México, como cônsul geral.

Neruda foi eleito senador no Chile, ganhou o Prémio Nacional de Literatura e filiou-se no Partido ComunistaFoi condecorado pelo governo mexicano com a Ordem da Águia Asteca.

Devido à perseguição política exercida pelo presidente chileno Videla (1898-1980), foi decretada a sua prisão. Apesar disso, o poeta permaneceu no Chile, mas na clandestinidade. Em 1949, conseguiu fugir do país.

Viajou para diversos países, onde participou em eventos políticos, artísticos e literários. Recebeu o Prémio Internacional da Paz.

A ordem de prisão, no Chile, foi revogada e ele pôde voltar para o seu país. Recebeu o Prémio Stalin da Paz e fundou a revista Gaceta de Chile em 1917.

Foi presidente da Sociedade de Escritores do ChileNessa altura, era um dos poetas de língua castelhana mais lido, traduzido e celebrado no mundo inteiro.

Recebeu o título honorífico de membro correspondente do Instituto de Línguas Românicas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Foi nomeado membro académico honorário da Faculdade de Filosofia e Educação da Universidade do Chile. Recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Oxford, a condecoração peruana Sol do Peru, além do Prémio Atenea, da Universidade de Concepción, e o prémio Literário Internacional de Viareggio, na Itália. Recebeu a medalha Joliot Curie e foi membro honorário da Academia Norte-Americana de Artes e Letras, foi nomeado membro honorário da Academia Chilena da Língua e recebeu o título de doutor honoris causa pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, além da Medalha de Prata do Senado chileno.

No ano de 1971, Neruda foi embaixador do Chile, em França, e ganhou o Prémio Nobel de Literatura. Foi nomeado membro do Conselho Consultivo da Unesco, renunciando ao cargo na embaixada.

Morreu em 23 de Setembro de 1973, em Santiago, no Chile, dias após o golpe militar que impôs, violentamente, a ditadura no país.

 

Introspecção, Saudosismo, Melancolia, Erotismo, Crítica sociopolítica, Amor, Vida, Valorização da identidade latino-americana são temas recorrentes na sua extensa obra.

Saudade


Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…


Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,

passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido

 

Pablo Neruda, in Crepusculário, 1923

Nota: o destacamento de alguns versos é da minha responsabilidade

Crepusculário (1923) Crepusculario apareceu para designar uma “coleção de poemas escritos durante crepúsculos”.

Vinte poemas de amor e uma canção desesperada (1924)

Tentativa do homem infinito (1926)

O habitante e sua esperança (1926)

Cem sonetos de amor (1959)

Confesso que vivi (1974)

Para nascer, nasci (1977)

 

Antonio Skarméta escreveu O Carteiro de Pablo Neruda, Ardiente Paciencia, traduzido por António Colaço Barreiros e editado pela Editorial Teorema, de Carlos da Veiga Ferreira.

Que Saudades do livro de Skarméta e do filme realizado por Michel Radford em 1994.

Que saudades da Democracia no Chile.

Que saudades da Democracia

Que saudades de Pablo Neruda

A Saudade é dolorosa, vive dentro de cada um como se fosse única. A sensibilidade de muitos poetas e ensaístas dão-lhe visibilidade através da palavra, que nos faz reflectir sobre a intimidade do ser humano.

 

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