Na ternura da companhia de três amigas do coração, assisti ontem, dia 27 de Fevereiro, ao concerto do meu sobrinho Manel Cruz, na icónica Casa da Música da Cidade do Porto. A sala Guilhermina Suggia, onde a contemporaneidade se casa com a beleza da talha dourada, encheu-se por completo. Ali, mais de um milhar de pessoas, essencialmente gente nova, mas também de outras idades, aguardava o início do espectáculo. Confesso que senti uma pontinha de ansiedade ao imaginá-lo tão tenso e temeroso, quando criança. A voz do sangue leva-nos a esta empatia solidária.
Foi uma actuação a solo, bem diferente daquelas a que nos habituou. Um concerto muito intimista. No palco, duas guitarras, um ukulele, uma harmónica de beiços e a voz inconfundível de uma figura franzina. Por trás, um cenário minimalista, mantendo o essencial, mudando pouco de forma e de cores. Nuances ténues que eu interpretei, na minha débil capacidade musical, como singelo adorno das letras feitas de uma força poética rara. Sou ignorante na construção e execução da música, mas sinto-a no seu alcance estético e universal. E ontem senti-a dessa forma, em toda a sua universalidade.
Quando, no final, toda aquela assistência, na sua postura sempre culta e sóbria, apesar do enorme entusiasmo, se levantou numa ovação plena, confesso que senti um arrepiozinho de orgulho.